(Jumanji: Welcome to the Jungle), de Jake Kasdan.
Com Dwayne Johnson, Kevin Hart, Jack Black, Karen Gillan, Bobby Cannavale, Rhys Darby e Nick Jonas.
Quatro adolescentes encontram um videogame cuja ação se passa numa floresta tropical. Empolgados com o jogo, eles escolhem seus avatares para o desafio, mas um evento inesperado faz com que sejam transportados para dentro do universo fictício, transformando-se nos personagens da aventura.

Os laços que criamos com o passado são, muitas vezes, fortes e nos fazem desenvolver uma espécie de excesso de zelo, um certo protecionismo com aquilo que remete à alguma lembrança ou momento especial, sendo, a infância e suas memórias, uma espécie de tesouro inestimável, a ser muito bem guardado. Então, algumas coisas são quase que sagradas, como cápsulas do tempo, que nos transportam para um momento da vida em que tudo era mais simples, com tardes preguiçosas assistindo a sessão da tarde.

Considerando o apreço de toda uma geração por Jumanji, talvez isso justifique a desconfiança com a qual “Bem-vindo à Selva” foi recebido. Mas se aprendemos alguma lição com o filme, é que, como diria nosso saudoso Belchior, “O novo sempre vem” e as vezes, é até mais divertido.

É fácil perceber desde as primeiras cenas o cuidado da produção com os detalhes, principalmente na construção dos personagens na primeira fase do filme. A rápida compreensão de quem são os 4 integrantes dessa pequena versão do clube dos 5 (The Breakfast Club, 1985) é importantíssimo para que tudo que vem a seguir funcione. E isso é muito bem feito.

Alex Wolf, Ser’Darius Blain, Madison Iseman e Morgan turner dão vida ao grupo de estereótipos formado por Spencer (O nerd, gamer), Fridge (O atleta alto, forte e com limitações intelectuais), Bethany (a menina bonita popular, viciada no telefone e na sua própria imagem) e Martha (A inteligente que não sabe que é bonita e acha que esportes são uma perda de tempo). O grupo, por um motivo ou outro, acaba se reunindo na detenção, ficando de castigo juntos em um porão, onde encontram um vídeo game antigo.

“Jumanji: Um jogo para aqueles que buscam encontrar, um jeito de para trás seu mundo deixar”

O mágico jogo sobrevive ao tempo se metamorfoseando, nesse caso, em um vídeo game. o que é uma solução inteligente e dá ao filme uma série de bons momentos e tiradas divertidas.

Acreditando ter encontrado nada mais que um jogo antigo, decidem ligá-lo. Como no prenúncio, o mundo real é deixado para trás e eles são dragados para dentro do vídeo game, não sem antes escolherem os personagens com os quais iriam jogar.

Eis então o que há de mais divertido no filme, os quatro adolescentes ao entrarem no jogo, se transformam em seus personagens, o que faz, por exemplo, com que Dwayne Johnson interprete um adolescente magrinho e nerd, e sua surpresa ao se ver no corpo alto, forte e musculoso é suficiente para encher a sala de cinema de gargalhadas.

Apesar de estar muito bem e seu personagem ser bastante divertido, esse não é o típico “Show de um homem só”, a que estamos acostumados quando pensamos no The Rock, assim como no jogo em que o trabalho de equipe é fundamental para que eles consigam resolver os enigmas para tentar vencer a missão, o que funciona muito bem é o equilíbrio entre os atores, que tem excelente química

Mas Jack Black quase rouba o show, ao interpretar Bethany, a adolescente meio fútil aficionada pelo seu celular, e todas as piadas envolvendo uma menina presa no corpo de um homem muito mais velho e barrigudo, são divertidíssimas.

Outro grande destaque fica para Kevin Hart que está simplesmente hilário, mas a grande diferença é que ele, diferente dos demais, não foge muito de seu natural e, apesar de extremamente engraçado, parece estar interpretando a si mesmo.

Uma coisa impossível de entender é Nick Jonas, cuja presença, é uma das coisas que tem de pior no filme. Sua interpretação é vazia e ele não acrescenta nada, além de um rostinho bonito talvez para contrabalancear com a presença de Karen Gillian, que encarna o “avatar” da menina inteligente que não sabe que é bonita, mas acaba no corpo da bela especialista em artes marciais.

Outro ponto positivo é toda a construção do mundo dentro do vídeo game, que é bastante interessante, com referências ao universo dos games, como features dos personagens, narração, a mecanicidade dos diálogos e personagens não jogáveis, com destaque para Rhys Darby, que apesar das poucas aparições está muito bem como Nigel, o guia. Foi tudo bem construído e reflete o grande orçamento investido.

É um filme para não se preocupar muito com o roteiro, que começa a desabar quanto mais se pensa nele, mas simplesmente aproveitar a hora e meia de diversão despreocupada. Com boas cenas de ação e uso da computação gráfica e uma direção que garante o bom ritmo.

Assistir Jumanji nos cinemas, é definitivamente uma experiência já que o clima leve, proporcionado pelas reações do público, dá o toque perfeito e o filme é um belo exemplar de um blockbuster bem-sucedido.

Patricia Costa

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