Uma senhora há muito viúva decide um dia colocar em prática um sonho que até então nem sabia que tinha: montar uma livraria. Ambientada na cidadezinha de interior da Inglaterra, Hardborough, em 1959, o filme tinha tudo para dar certo e conquistar o coração dos expectadores, porém o resultado final é bastante morno.

Baseado no livro de mesmo nome de Penelope Fitzgerald e dirigido pela espanhola Isabel Coixet, o filme, ganhador do Prêmio Goya 2018,  é todo falado em inglês. O que não seria nenhum problema, mas pode ter colaborado para que a produção não tenha sido tão bem sucedida. Vamos aos fatos: a viuvinha Florence Green (Emily Mortimer) investe todas as suas economias na compra de um velho casarão abandonado da cidade, onde instala sua livraria. Ela começa a fazer pedidos de fornecedores da capital (incluindo o novo sucesso polêmico intitulado “Lolita”) e, aos poucos, seu pequeno negócio vai prosperando. Em paralelo, temos o também viúvo Sr. Brundish (Bill Nighy), maior leitor da cidade mas que nunca sai de casa, e acaba se tornando o primeiro cliente de Florence, pedindo que lhe envie os livros por entregadores.

Tudo iria bem, não fosse a ganância da Sra. Gamart (Patricia Clarkson), uma socialite endinheirada que cisma que o tal casarão onde Florence quer abrir sua livraria deveria se transformar, na verdade, em um centro de artes. Um jogo de poder claramente desigual e que já foi abordado em outros sucessos do cinema, como “Mensagem para você”. A Sra. Gamart não mede esforços para correr atrás de fazer valer sua vontade, então Florence personifica a figura da resistência, em bater o pé sobre vender livros à população local.

O filme é todo bucólico e melancólico, e nos dá uma vontade danada de botar um livro debaixo do braço e ir até a pequena Hardborough, tomar um chá quente e ler uma história agradável à beira do mar ou em um café aconchegante. A história do filme, ao contrário, deixa vários por quês no ar, e o espectador sai da sala incerto sobre a proposta de mensagem do filme. Porém, se você é um bibliófilo, o filme é um prato cheio para você alimentar aquele sonho romântico que todos nós temos de abrir uma livraria simplesmente porque amamos ler.

Janda Montenegro

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