(Last Flag Flying), de Richard Linklater
Com Brian Cranston, Lawrence fishburn, Steve Carrel, J. Quinton Johnson, Yul Vazquez

Apesar de não ser considerada oficialmente uma sequencia do clássico de 74, A Última Missão, dirigido por Hal Ashby, o diretor Richard Linklater se junta com Darryl Ponicsan, o autor de ambos os livros que foram usados como referencia para os filmes, para escrever o roteiro de A Melhor Escolha. Com isso, o filme de Linklater não precisa reapresentar  Bill Buddusky, Mulhall e Meadows, interpretados por Jack Nicholson, Otis Young e Randy Quaid no “filme original”. No lugar deles temos as novas versões dos protagonistas, Sal Nealon (Bryan Cranston), Mueller (Laurence Fishburne) e ‘Doc’ Shepherd (Steve Carell), como três militares aposentados que conforme o caminhar do filme, vamos descobrindo terem uma história muito em comum com os personagens do filme de Hal Ashby.

Abordando os significados de honra e do luto, que acompanham o legado dos veteranos do exercito americano, que em 2003 começam a ver as novas gerações, que incluem até seus filhos, embarcando para a perigosa guerra do Iraque, que estava estourando no Oriente Médio.  Um desses veteranos é Sal (Cranston), imaturo e sem filtro social, graças  a um ferimento em sua cabeça sofrido na guerra, que passa seus dias bebendo e falando besteira em um bar do qual ele é dono. As coisas mudam quando em uma noite de Natal, seu velho amigo de combate Doc (Carell) aparece no bar, depois de anos sem nenhum contato. Doc se tornou viúvo recentemente e ainda trabalha para as forças militares, mesmo tendo ido parar na prisão militar anos atrás, situação essa que ainda faz Sal guardar um rancor do exército.

Após uma noite de bebedeira, Doc convence Sal a irem visitar Mueller (Fishburne), antigo parceiro de batalhão, que havia se tornado um reverendo em uma pequena igreja. Na casa de Mueller, Doc revela o verdadeiro motivo de procurar os antigos amigos, seu filho que mal havia saído da escola, foi morto em combate em Bagdá e agora ele espera contar com o apoio dos amigos para ir com ele ao velório do filho.

Com isso o filme segue um tocante road movie, onde, entre várias questões interessantes abordadas no roteiro, Linklater trata com delicadeza as dificuldades que temos em lidar com os “encerramentos de ciclos” em nossas vidas, isso fica claro nas vidas frustradas que os três amigos levam após a brusca e impactante dispensa militar e, principalmente , na jornada de Doc, que precisa lidar com a perda da família e os pesos das ações que temos  e suas consequências.

No fim, A Melhor Escolha consegue balancear um drama pesado com leves momentos de humor, isso graças a um afiado elenco que luta com as questões de definição de patriotismo, família e luto. Além do mais, acompanhar a dinâmica de Carell, Cranston e Fishburne nessa jornada é realmente gratificante.   

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