Finalmente chega aos cinemas o novo filme de Nick Park! 😀 Para quem não sabe, ele é o diretor de animações premiadas e queridinhas no circuito, como “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais” (vencedor do Oscar 2005 na categoria animação) e “A Fuga das Galinhas”. Nick se tornou mundialmente conhecido por apresentar uma técnica muito antiga de fazer desenho animado – a utilização de massinha de modelar –, o que remeteu muitos expectadores à saudosa época da infância.

Em “O Homem das Cavernas” reconhecemos sua assinatura: personagens feitos de massinha, filmado em stop motion ( quando se filma bonecos, por exemplo, e aí tem que ir mexendo de pouquinho em pouquinho cada movimento para, quando passar rápido no filme, o boneco realizar o movimento completo), a mesma estética visual (personagens cabeçudos, bocudos e olhudos, com corpos alongados e barrigas ovalares). A dublagem brasileira contou ainda com a participação do comediante Marco Luque, que empresta sua voz ao protagonista Doug.

A história do desenho é meio inverossímil: depois que um meteoro faz uma cratera na Terra, a tribo de Doug (os Homens das Cavernas) se veem obrigados a morar na parte desolada pelo poder de destruição do aerolito, enquanto no buraco vivem os Homens da Idade do Bronze, onde há água, vegetação e animais, comandados por um rei meio pancada da cabeça. Um dia, porém, na tentativa de reverter o destino de sua tribo, Doug desafia os Homens da Idade do Bronze para uma (pasmem!) partida de futebol(!!!).

A equipe do rei é formada pelos melhores jogadores das redondezas, incluindo um “alemão” cabeludo loiro, um atacante com nome parecido com o Messi e a rainha cujo nome faz menção à FIFA, e essas indiretas arrancam uns sorrisos da plateia; já a equipe do protagonista é composta por pessoas que nunca sequer tocaram numa bola.

A história tinha tudo para ser divertida, porém o roteiro é chato e arrastado. Voltado para agradar um público mais infantil, fica difícil ver a criançada se afeiçoar aos personagens, uma vez que boa parte do filme é falado em portunhol (!!!). Sim, mesmo na cópia dublada os personagens da Idade do Bronze falam na língua estrangeira, o que pode se tornar uma grande barreira para as crianças pequenas. A intenção era bacana –fazer uma menção ao Barcelona e a hegemonia do futebol espanhol na atualidade – porém um longa metragem de animação metade falado em outra língua é uma aposta arriscada, tal como uma piada bem intencionada prolongada demais, cujo resultado mais confundiu que agradou.

Uma boa saída para o filme seria estrear em junho, para pegar a hype da Copa do Mundo e o interesse do público pelo esporte, porém ele estreia agora, em abril, meio fora no contexto. Perderam uma boa oportunidade.

Janda Montenegro

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