Os segredos do universo são infinitos, como acreditamos ser o próprio universo, porém, para nossa sorte, vez ou outra, aparecem algumas pessoas com ideias muito além da nossa compreensão; Tesla, Stephen Hawkins, Albert Einstein, Galileu, Da Vinci. Eles questionam o mundo como o conhecemos e, como resultado, às vezes, transformam tudo aquilo em que costumávamos acreditar, dando novo significado às coisas, ao nosso lugar no universo e até mesmo à nossa existência.

Murry, vivido por Chris Pine (Mulher Maravilha), é um exímio cientista que vive mergulhado em suas teoria sobre o tempo e o universo. Uma de suas mais ambiciosas pesquisas, seria capaz de mudar para sempre o mundo, com a ideia de que uma conexão na frequência certa poderia nos levar para qualquer lugar do universo. E, assim, em meio as suas ideias aparentemente malucas, ele desaparece e ninguém faz ideia de onde ele está, nem mesmo sua esposa, interpretada por Gugu Mbatha-Raw (Paradoxo Cloverfield), com quem trabalhava em suas teorias.

Ele deixa para trás dois filhos e seu desaparecimento impacta gravemente a vida de sua família, principalmente a de sua filha Meg (Storm Reid) que, anos depois, ainda sofre com a ausência do pai, tendo dificuldade de socializar e levar uma vida normal.

Diferentemente de Meg, seu irmão, Charles Wallace (Deric McCabe), parece ver a vida com uma leveza maior e atrai a presença de três seres mágicos do universo, a Senhora Queé (Reese Witherspoon), Senhora Quem (Mindy Kaling e Senhora Qual (Oprah Winfrey), que aparecem após terem ouvindo um pedido de socorro, que acreditam ser do pai das crianças. Elas vêm, então, leva-las em uma aventura para que possam tentar resgatar o pai de volta.

Ava DuVernay é uma diretora brilhante e isso fica nítido em alguns dos seus trabalhos anteriores, como Selma e A 13ª Emenda, mas, infelizmente, pouco do que a diretora tem de melhor aparece nesse filme e algumas de suas ideias, simplesmente não funcionam.

Uma Dobra No Tempo é baseado no livro homônimo de Madeleine L’Eingle e propões a existência de mundos infinitos para além do nosso, levando seus personagens para um passeio pelas maravilhas e perigos do universo. Diferentes seres, as mais diversas formas e cores, noções de espaço e tamanho, infinitas possibilidades pediam um filme visualmente à altura da empreitada. Mas o resultado é fraco, muito pouco interessante e por vezes, muitas vezes, ruim, sendo bastante perceptível o quão falso e feito em fundo verde são os cenários.

Há uma apatia dos personagens frente ao universo que está sendo apresentado, desde o primeiro momento quando Reese Witherspoon aparece aleatoriamente na casa da família no meio da noite e eles reagem, achando um pouco estranho, como se uma mulher estranha na sua sala de estar conversando com uma criança de 6 anos fosse quase normal. Se, nem os personagens compraram a “fabulosidade” do mundo que estão descobrindo, imagina quem está assistindo ao filme.

Storm Reid é linda e é possível ver em alguns momentos, principalmente anteriores a chegada das senhoras, especialmente na dinâmica familiar, a força de sua atuação. Acredito que ela tem uma longa jornada pela frente e que, talvez, o excesso de computação gráfica, tenha sido problemático para ela. Mas foi muito difícil se conectar com a personagem, para além de ser possível entender o casulo em que ela se fechou com a dor da perda. Além disso, suas angústias e questões interiores, são muito frágeis e pouco cativante. Nesse ponto, Deric McCabe roubou a cena. O seu personagem é quem tem uma maior oscilação na história e o ator roubou a cena, dando conta de tudo que lhe cabe e sendo ao mesmo tempo assustador e encantador.

Uma diretora conceituada, grandes nomes como Oprah e Resse Witherspoon, uma história que é um clássico da literatura infanto-juvenil, a assinatura Disney, um orçamento de mais de 100 Milhões, são muitos os fatores que fazem com que o resultado de Uma Dobra no Tempo beire o inacreditável.

A baixa qualidade, não só dos efeitos visuais, mas do roteiro. com uma narrativa confusa e de atuações medianas e pouco cativantes é realmente uma surpresa e uma pena, considerando o potencial da história. Independente de podermos ou não viajar no tempo e no espaço no presente, o filme de Ava DuVernay não funcionou. Quem sabe se um dia conseguirmos essas dobras no tempo, pode ser que no passado funcione melhor, sem tantos recursos visuais, ou no futuro o refaçam com mais sucesso.

Patricia Costa

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