Quem acompanha minhas resenhas, sabe o quando enalteço as características do cinema, onde as múltiplas sensações podem ser sentidas por cada pessoa. E olha que curioso: fica difícil imaginar uma obra que vai de encontro a um dos pilares da 7ª arte;  o som. Porém não se preocupem, porque histórias são para serem contadas e por características, te levam (e elevam) a lugares e sensações únicas. Então sejam bem vindos e desfrutem de uma experiência sensorial chamada Um Lugar Silencioso.

Dirigido e estrelado por John Krasinski, Um Lugar Silencioso já te coloca no meio do grande problema. Algo de muito sério aconteceu com o planeta, onde criaturas devastaram praticamente toda a humanidade. Os poucos sobreviventes, vivem meio que isolados e tentando viver em um mundo pós-apocalíptico. Porém, com uma característica muito assustadora e devastadora, essas criaturas possuem uma audição fora do comum, sendo que a única possibilidade de nos humanos ainda sobreviverem, é não emitir nenhum (quando digo nenhum, é nenhum) tipo de som ou a morte vem em segundos.

A direção já acerta logo de cara (como falei não perde tempo), situando o espectador no problema e já nos primeiros minutos, amparado com uma decisão altamente corajosa do roteiro, mostra o que há por vir. Um Lugar Silencioso, tem o cuidado de no 1º ato apresentar como é o dia a dia dessa família, onde o pai (vivido por Krasinski) tem a força necessária em dar segurança para sua esposa (Emily Blunt) e seus 2 filhos. Importante citar e dar os parabéns para o corpo de atuação, em especial a Blunt, que exala uma proteção absurda para com os filhos, e mostra em sequências de extrema agonia e tensão, mesmo sem poder gritar, porque é uma das grandes atrizes do momento.

Como citamos anteriormente, a premissa desse filme é espetacular, onde todo silencio é importante para sobrevivência da família, e com isso se preparem para sequências incríveis de agonia e tensão, onde você nunca sabe qual vai ser o próximo passo, já que assim como os atores, você nunca esta em vantagem. Toda essa ideia não seria possível se o design de som não fosse estupendo. Não vai me surpreender se aparecer nas premiações no fim do ano. Você escuta o ranger de uma porta, o cair de um prego, assumo que parei de comer pipoca porque achava que estava alto e incomodava o publico. O silencio nesse filme é um personagem a altura de seu roteiro, e ate os jumps scares tem sentido, já que tudo tem uma conotação sonora diferente do normal.

Instigante, tenso, angustiante, Um Lugar Silencioso vai testar seus limites ao extremo, onde o silencio vai gritar mais alto, e espero que a experiência na sala de cinema seja respeitada para uma bela imersão sensorial e pavorosa.

Marcelo Perelo

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