Após cinco anos afastado do cinema, o aclamado diretor Roman Polanski está de volta com o thriller psicológico Baseado em Fatos Reais, que por mais que não seja tão intrigante quanto aparenta, ainda pode satisfazer boa parte do público.

Tomando como base o livro de mesmo nome da autora francesa Delphine de Vigan, fica claro que esse é um retorno forçado de Polanski a suas raízes do suspense. Apresentando uma previsível trama onde acompanhamos Delphine (Emmanuelle Seigner) uma autora de um extremamente pessoal bestseller sobre a relação com sua mãe. A escritora começa a ficar cansada da rotina de sessões de autografo, entrevistas e o assédio dos fãs, além de ter passado a receber cartas anônimas a acusando de usar seus dramas familiares como forma de lucrar. Delphine começa a entrar em um bloqueio criativo e fica paralisada com a ideia de escrever novamente.

Até o momento a trama se mostrava interessante e com potencial, podendo seguir um caminho de comentário crítico sobre a fama e o que fazemos para obtê-la. Ou até mesmo levantar questões de como o excesso de exposição pode afetar na criatividade do artista.

Nesse momento ela cruza caminho com a misteriosa e bela Elle (Eva Green), muito inteligente e intuitiva Elle entende o que Delphine está passando e elas logo criam um forte vínculo. Só que cada vez mais Elle (que na tradução para português seria Ela) parece cruzar os limites da amizade, cada vez mais invadindo o espaço da autora. Só que não a mistério para a relação, afinal, Elle representa um claro problema e o público percebe isso no primeiro momento dela em cena. Sua caracterização elegante e provocante que faz contraste a Delphine, o excesso de vermelho na composição da personagem e até mesmo a trilha sonora de Alexandre Desplat que cresce em tensão a cada momento da personagem em cena.

Filmes como Louca Obsessão e O Escritor Fantasma (do próprio Polanski), são referencias claras nas construções do segundo e terceiro ato. Fazendo o filme perder a oportunidade de ser uma obra mais interessante que flerta com esses comentários sobre a fama e acaba se tornando uma óbvia e repetitiva metáfora para o processo criativo de uma escritora onde o grande twist do filme já pode ser percebido nos primeiros momentos.

Baseado em Fatos Reais pode ser considerado um dos filmes mais genéricos da carreira do diretor, mas ainda sim ele consegue trazer duas sólidas atuações, Seigner e Green tem uma química perfeita e fazem a tela pegar fogo quando estão juntas. Um acerto também é na construção de uma tensão sexual e não desenvolver ela em cena, afinal às vezes você se perde muito mais em uma amizade do que numa paixão.

Renato Maciel

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