Culminando em exatos dez anos desde o começo do mais ambicioso projeto cinematográfico na história de Hollywood, a Marvel Studios guiou uma legião de fãs e criou uma base fiel de novos seguidores ao longo de dezoito filmes que anteciparam o aguardado lançamento de Vingadores: Guerra Infinita, que promete ser o maior marco na história do cinema.

Adaptando livremente a saga dos quadrinhos da “Manopla do Infinito”, o filme mostra a grande investida final do perigoso Thanos (Josh Brolin), acompanhado dos membros da Ordem Negra, que enfim chegam a Terra em busca das joias do infinito. Percebendo o grande perigo que o vilão pode causar a todo o universo, os Vingadores precisam deixar suas diferenças de lado e juntarem forças novamente para impedir que Thanos conquiste seu objetivo.

Assistir a saga da Guerra Infinita no cinema realmente é uma experiência diferente em relação a experiência com os outros filmes do universo da Marvel. Durante todo o tempo temos a sensação de estarmos vendo algo especial e diferenciado, um verdadeiro crossover de quadrinhos que ganha vida na tela grande. O dinamismo na maneira em que a história é construída, e a forma em que o perigo logo se torna imediato, afinal não foi agora que o público descobriu a ameaça de Thanos, então ver o desenrolar da aventura e como cada herói vai se envolvendo é fantástico. Dá aquela sensação comprovada que Marvel criou um mundo onde todos esses personagens vivem juntos e agora se esbarram em uma mesma missão. Fora que é simplesmente sensacional ver a interação de personagens como Tony Stark e Stephen Strange ou Thor e Rocket, são momentos únicos que os fãs estavam ansiosos aguardando.

Claro que quando lidamos com um filme com mais de trinta personagens importantes, acaba sendo difícil equilibrar a presença de todos eles. Alguns personagens grandes como Capitão América ou até mesmo o Pantera Negra que está ainda colhendo os louros do sucesso de seu filme solo, não tiveram muito tempo de tela ou até mesmo muito a acrescentar na história principal. Ainda sim, para todos eles foi criado um momento específico de brilhar e mostrar suas habilidades, por mais que sejam situações bem momentâneas.

Nós já falamos muito dos Vingadores nesses anos, mas agora vamos falar do verdadeiro protagonista desse filme, o grande vilão, o titã louco Thanos que foi interpretado por captura do movimento pelo ator Josh Brolin. Sendo construído ao longo desses dez anos como a maior ameaça para os heróis mais poderosos da terra, o vilão precisa usar apenas os dez minutos iniciais para mostrar que ele não está ali para fazer piadinhas e sim para destruir tudo e todos que ficarem em seu caminho. Apresentado como uma verdadeira força da natureza, Thanos além de letal e ameaçador e visto como um personagem com dilemas, graças ao roteiro que utiliza de uma parte para explorar um pouco mais das motivações e relações do titã, em especial com sua filha Gamora. Isso tudo ajuda na composição de um vilão mais complexo, não o deixando ser um genocida vazio em sem emoções.

Experientes dentro da Marvel Studios, os irmãos Joe e Anthony Russo retornam na direção e conseguem trazer um bom equilíbrio entre as cenas de ação, as piadas e o tom sério de gravidade que está por trás de todo o filme, afinal esse é o maior perigo pelo qual os heróis já passaram. O filme apresenta sequencias de ação que já se tornaram memoráveis dentro do MCU, mas ainda sim algumas cenas que deveriam entrar para a história do cinema deixam um pouco a desejar, graças à maneira que elas foram conduzidas. A sequencia final de combate, por exemplo, pode acabar não se tornando tão memorável com passar dos anos graças à falta de grandes movimentos de ação mais plásticos e uma melhor exploração das habilidades dos heróis quando lutando em unidade, algo que Joss Wheadon dominava dentro dos Vingadores.

No fim acaba sendo impossível não perceber o tom de despedida e celebração que rodeiam o marketing da produção. Ainda assim, Guerra Infinita realmente não deve ser visto como apenas um filme, mas sim como um a primeira parte de um grande evento cinematográfico. Representando com muita qualidade uma divertida e empolgante história de aventura que vai deixar qualquer espectador na ponta da cadeira e sem fôlego durante todo o tempo.

Renato Maciel

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