Gringo, de Nash Edgerton
Com  David Oyelowo, Joel EdgertonCharlize Theron, Thandie Newton

Secretamente a maioria de nós tem histórias que são muito mais absurdas do que gostamos de revelar porque a vida está cheia de disparates que estão longe de parecerem verossímeis, e há nesses absurdos uma dose incrível de humor.

Harold Soyinka (David Oyelowo)  é um cara legal, daquelas pessoas que fazem tudo conforme o figurino, seguindo as regras. Ele é gente boa, bom marido, funcionário do mês, gentil com todo mundo, conformado em sua vidinha mediana, que acreditava no sonho americano e no fato de que, uma vez no Estados Unidos, sua vida seguiria sem maiores intempéries. Ele não poderia estar mais longe da verdade e quando descobre que o sonho americano não passa de uma farsa e que ele, sendo o último a saber, com certeza vai se dar mal, sua vida muda de rumo completamente.

O filme é erigido sobre uma base de clichés do universo corporativo. O Chefe (Joel Edgerton) que é babaca, pegador, ganancioso e inescrupuloso, sua sócia (Charlize Theron) que é poderosa e linda, mas igualmente arrogante e vazia e o coitado do funcionário bobão, que está sendo passado para trás em todas as instâncias da vida, mas não parece fazer ideia.

David Oyelowo é um cara agradável e acaba sendo uma ótima companhia pelo tempo da história, o que é uma vantagem enorme para o filme, uma vez que seu personagem, que tinha tudo para ser simplesmente irritante, cai facilmente nas graças do público porque é simpático e o fato do filme brincar com o personagem, aceitando que ele é sem graça e desinteressante faz dele ainda mais palatável.

O mesmo não acontece com Joel Edgerton que parece ter sido mal escalado, porque é difícil de comprar o ator como o garanhão que tem Charlize Theron e Thandie Newton a seus pés. Ele convence como o chefe mal caráter, mas dificilmente como o sedutor irresistível, que mobiliza mulheres desse calibre, porque aparentemente não possui nenhum atrativo, já que não é legal, interessante e nem tão bonito, então o argumento do dinheiro não se sustenta.

O filme caminha em uma direção óbvia, mas justamente no momento que fazemos aquela cara de “É claro que isso vai acontecer”, tudo muda, de maneira surreal e os absurdos tomam conta da tela de forma frenética. Aquilo que sabíamos que ia acontecer realmente acontece, só que não é tratado como uma grande revelação, mas de forma cômica em uma cena que funciona e arranca, no mínimo, bons sorrisos.

São tantas subtramas e acontecimentos que o filme fica confuso e com um grande problema de ritmo e quase não funciona, mas, inesperadamente, ele tem, na mesma medida, muitos pequenos bons momentos de comédia, desses de levar ao riso espontaneamente, e detalhes legais, como o fato de Charlize Theron estar nitidamente se divertindo na personagem que está fazendo e isso tudo acaba deixando o filme muito mais prazeroso do que se espera ao começar a assisti-lo.

Apesar de no final das contas Gringo se mostrar bastante agradável e um bom passatempo, isso não muda o fato de ser longo demais e de que uns 20 minutos ou uma subtrama a menos, fariam muita diferença, já que as quase duas horas se mostram exageradas e o deixam cansativo.

Sem dúvida o diretor Nash Edgerton capricha nos elementos insensatos e quando tudo parece indicar que a experiência não vai ser lá grande coisa, o filme acaba ganhando o espectador e sendo extremamente agradável, com excelentes momentos e alguns elementos divertidíssimos. Apesar de ser altamente esquecível faz valer o tempo investido ao assisti-lo.

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