(Deadpool 2)
De David Leitch: Com Ryan Reynold, Josh Brolin, Morena Baccarin e Zazie Beetz.

O primeiro Deadpool pegou todo mundo de surpresa, com uma abordagem totalmente diferente do que estávamos acostumados em se tratando de filmes de heróis,  elevando as regras do jogo. Um filme violento, com sangue e partes de corpos para todos os lados, palavrões e piadas, definitivamente, inapropriadas para o público infantil e, assim, simplesmente arrebatou o público. Mas quando se começou a falar sobre uma continuação ficou a dúvida: será que vai ser possível manter o nível, já que agora, nada do que foi feito é novidade mais? Será que não vai ficar chato, cansativo e perder a graça?

A resposta veio em forma de gargalhadas, estrondosas gargalhadas, que explodiram o cinema, da primeira à última, já tão comentada, cena pós-crédito. E, confesso que tive que me forçar a parar de rir em alguns momentos, o que me faz ansiar por ver de novo para poder rir mais à vontade.

Todo o trabalho de publicidade feito pelo ator e pela equipe do filme nas redes sociais foi brilhante e o excesso de exposição, que era um risco de esgotar o personagem e as piadas, passou longe de ter qualquer efeito negativo, já que o que aconteceu parece ter sido justamente o esperado. Há uma sensação de familiaridade, a impressão de estar reencontrando um amigo relativamente próximo, o que não teria sido possível se houvesse um hiato na presença do personagem na mídia entre o primeiro filme e esse. A persona Ryan Reynolds/Deadpool, se tornou uma figura querida do público e o ator se fundiu tanto ao personagem que, assim como, Robert Downey Jr. com Tony Stark e Hugh Jackman com Wolverine, é muito difícil imaginar outra pessoa em seu lugar. O novo filme consagra isso e o ator está simplesmente incrível.

O filme pega esse olhar diferente sobre o super-herói e o amplifica, mas não de forma repetitiva. Elementos que funcionaram no primeiro filme foram trazidos de volta, com força total. Referências a outros super-heróis, auto referência, referências a outros filmes e a tão interessante quebra da quarta parede, todos esses elementos apareceram muitas vezes e funcionaram muito, principalmente, a quebra da quarta parede que não parece, em momento algum, usada excessivamente e cada vez que acontece é divertida e aproxima em muitos momentos o protagonista dos expectadores.

Deadpool é sem questionamentos um anti-herói e ser politicamente incorreto é um de seus esportes favoritos. Então, ninguém está livre de ser alvo de piadas. Eles atiram em todo mundo mesmo, mas por incrível que pareça, é quase impossível ficar ofendido.  Há um tom nas piadas, misturado ao carisma do personagem que dá conta de filtrar qualquer agressividade ou mensagem negativa. Então espere alguns golpes baixos e tente não guardar nenhum rancor.

Piadas com conotação sexual e genitálias não são lá minha pedida de comédia, porém, na maioria das vezes as piadas são certeiras e confesso ter rido até de algumas dessas.

A metalinguagem é uma marca registrada do personagem e o roteiro abusa e explora muito bem esse elemento. Além de atuar e produzir Reynolds também participa da construção do roteiro e a naturalidade, o tom, e o timing certos se beneficiam da presença dele como co-roteirista. Mas há também uma sensação de amadurecimento nesse roteiro, que apesar do tipo de comédia que carrega é mais adulto e bem-acabado. Mais uma vez, assim como no primeiro, o filme possui uma temática bem definida e tudo que acontece, toda a narrativa se desenvolve em torno disso, só que Deadpool 2 não é uma história de amor, mas uma história sobre família.

Mas nem só de Ryan Reynolds é feito o filme. Apesar do foco ser noventa por cento nele, o elenco de apoio foi muito bem escolhido com destaque para alguns personagens que estão de volta, como o Colossus (Stefan Capicic), Dopinder (Karan Soni), Blind Al (Leslie Uggams) e Vanessa (Morena Baccarin) e para os novatos da X-Force.

Uma mulher poderosa não pode faltar em filme nenhum mais, e na minha humilde opinião, a Domino de Zazie Beetz, arrebenta. Com cenas de luta incríveis e fazendo parte das principais cenas de ação do filme, ela achou o tom certo e deixa um gostinho de quero mais sendo um belíssimo acréscimo à X-Force.

Josh Brolim é o cara do momento! Com dois papéis vilanescos em filmes em cartaz, e é simplesmente admirável o quanto ele leva o personagem a sério e o quanto se preparou fisicamente. Seu personagem é sombrio e assustador, quase como se estivesse em outro filme e seu personagem impõe medo.  O seu arco é interessante e as cenas em que Cable e Deadpool estão juntos há um equilíbrio excelente entre esses dois universos que acrescenta bem ao filme.  E a dinâmica entre eles é também onde estão a maioria das cenas de ação.

O filme é cheio de excelentes cenas de ação e é onde o diretor David Leitch (co-diretor de John Wick), talvez tenha se destacado mais do primeiro filme. As cenas de ação são mais dinâmicas, com muito movimento de câmera acompanhando os personagens e são muito fluídas dando um bom ritmo ao filme.

A premissa da história é que Wade tem que proteger um menino com poderes mutantes de Cable, o viajante do tempo assassino. E é aí que entra para mim o elo fraco do filme; Russel, de Julian Dennison. Apesar da história cheia de metalinguagem e alusões a outros filmes ser até interessante, faltou ao ator achar o tom certo do personagem. Falta alguma coisa que nos faça se importar com ele, torcer até pra que ele seja salvo, já que, honestamente, eu até torci para que o assassino o matasse pouquinho. Cable sim é um personagem super interessante e cheio de nuances.

A verdade é que há uma grande chance desse filme ser ainda melhor do que o primeiro, mas ainda que não seja, chega bem perto e uma coisa é certa: é divertidíssimo e vale cada gargalhada, com destaque para a enorme quantidade de surpresas presentes. São muitas e de deixar o queixo caído e no mínimo um sorriso. Deadpool 2 é aquele filme para se entregar aos prazeres da diversão, imperdível!

Patricia Costa

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