Revenge

(Revenge, 2017)

De Coralie Fargeat. Com Matilda Lutz, Kevin Janssens e Vincent Colombe.

Existem dois filmes dentro de Vingança: o primeiro é uma história de violência e abuso contra a mulher, que após sua morte desperta simbolicamente a figura da Fênix e retorna para subjugar os responsáveis. O segundo é uma produção barata e (de vez em quando) apelativa, repleta de torturas físicas, bastante sangue e violência infundada, mascarada de movimento igualitário.

Me incomoda um pouco quando o marketing de alguns filmes tentam nos convencer que aquele produto é mais do que simples entretenimento escapista. Por isso, a dúvida sobre o tipo de filme que estava assistindo me perseguiu durante quase toda a projeção.

Não que seja fácil vender um filme com a história mais batida do cinema. Definitivamente existe algo especial sobre a menina sonhadora – neste caso, Jen (Matilda Lutz, muito bem) – que vai passar o fim de semana com o amante em sua isolada mansão em algum deserto em formato de purgatório, sabe-se lá em que parte do mundo.

Depois de muita diversão, a dupla de sócios franceses do rapaz surge para mais festa regada à sexo, drogas e álcool. Obviamente, que a coisa sai do controle e, eventualmente, a jovem precisa lutar por sua sobrevivência. Ou seria só um desejo de retribuição que a iguala à seus perseguidores e, neste caso, serviria tanto de bandeira do “empoderamento” quanto um torture porn como Doce Vingança?

Não há duvidas que a diretora estreante Coralie Fargeat (que também assina o roteiro) tem talento. Durante grande parte da trama, ela consegue equilibrar bem os instintos mais primitivos do espectador. Sexo e violência parecem ganhar os mesmo tempos de exposição, sem nos poupar da beleza ou crueldade de ambos.

Não há dúvidas porém que o alvo da diretora são os homens, fãs do gênero. Em sua primeira meia hora, Fargeat parece provocar sua plateia masculina passeando a câmera pelo corpo da protagonista com um prazer à lá Michael Bay. Pouco depois a coisa muda de lado, a violência toma conta e a punição para quem está do lado de cá e de lá da tela vem em doses ainda maiores.

O problema é que a partir dai as surpresas são poucas. É bem fácil deduzir o que vai acontecer, quem vai morrer e até mesmo em que ordem. A moça adquire poderes ultra especiais de força (única explicação que tenho) e superação física, poucas vezes vista na história do cinema.

Mas a dúvida ainda me perseguia. Que filme estou assistindo? O terceiro ato é tão inverossímil que chega a ser cômico (embora muito, muito bem editado), mas finalmente me proporcionou a resposta que precisava. Se este for o seu gênero, recomendo muito que você assista. E tire as próprias conclusões.

Marcelo Cypreste

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