Ant-Man And the Wasp, de Peyton reed
com Evangeline Lilly, Paul Rudd, Michael Douglas, Michael Peña, Walter Goggins, Hannah John-Kamen, Lawrence Fishburn, Michelle Pfeiffer

“Oh, não! O mundo está perdido e precisamos salvá-lo”, “ Oh, meu deus!!” (Com a voz do dublador Jefferson Shroeder)

Não sei vocês, mas eu, pessoalmente, não aguento mais o universo em perigo, muito porque, ao olhar em volta tenho aquela sensação de “Ai, já deu né?” Se acabar não vai fazer tanta falta assim. Talvez uma mudança de ares seja o que o mundo precisa. Então, apesar dos pesares, Homem-Formiga e a Vespa me parece uma boa mudança, já que as vezes, não tem problema focar em salvar a si mesmo ou quem sabe uma pessoa só.

Scott Lang foi dar sua contribuição em Guerra civil e, obviamente, se deu mal. Agora, vivendo os últimos momentos de sua prisão domiciliar ele faz o que pode para entreter a sua filha dentro de casa. A relação entre eles foi muito bem estabelecida no primeiro filme e é retomada aqui, sendo ainda o que mais o move, então sua enorme preocupação em não quebrar as regras da sua prisão são para garantir que ele volte a poder passar ainda mais tempo com ela, vivendo, novamente, uma vida normal. Isso é uma complicação já que, mais uma vez, ele se torna uma peça importante para Hope e Hank Pym e tem que se desdobrar para garantir que não vai ser descoberto, enquanto corre pela cidade para ajuda-los.

O filme é leve, divertido e um bom passatempo, se opondo fortemente aos últimos lançamentos em que o tom mais profundo e pesado tomou conta do universo dos heróis. Porém, o roteiro é o grande problema do filme, tenta acrescentar muitos elementos à história, o que, dá um ritmo acelerado com diversas coisas acontecendo, mas acaba por não desenvolver muito bem nenhum desses elementos, deixando a história superficial e com muitos furos, onde teria sido bom ver um pouco mais de profundidade, deixando a narrativa extremamente fraca.

Bom exemplo da superficialidade do filme são os vilões. Enquanto Walton Goggins faz um personagem chato, irritante e para além de esquecível, até mesmo desnecessário, já que alguns ajustes à trama facilmente substituiriam o personagem, Hannah John-Kamen, faz Ghost, uma personagem com origem e desdobramentos interessantíssimos, ressaltando inclusive no seu arco narrativo o excelente Hank Pym, de Michael Douglas, que está longe de ser o mocinho, com uma personalidade difícil e ambiciosa que flerta sempre com escolhas equivocadas para atingir seus objetivos. A personagem cheia de potencial é mal explorada tendo um desfecho que se relaciona diretamente com outra parte equivocada do roteiro, que abandono completamente as regras estabelecidas anteriormente

O primeiro filme perde bastante tempo explicando a tecnologia, que é muito bem utilizada aqui em cenas divertidíssimas que brincam com o fator de alteração do tamanho, mas, infelizmente, há poucas surpresas nessas cenas já que os melhores momentos estão nos trailers e, pode=se dizer até que melhor utilizados, com uma boa trilha e cortes mais dinâmicos. Além da falta de surpresas a falta de cuidado com o estabelecido anteriormente, pode passar despercebido por alguns, mas provavelmente vai incomodar aos mais atentos, fazendo com que os problemas do roteiro se acumulem, até o ponto em que simplesmente desiste de explicar como as coisas estão acontecendo, deixando o expectador com cara de “Que!?”

No lado dos acertos do filme está o elenco que é excelente, que apesar dos problemas de desenvolvimento dos personagens possui alguns destaques com grandes atpres até em papaéis pequenos. Michael Peña está de volta como Luis e cada aparição é é um sopro de diversão à trama com ênfase em uma cena em que a montagem é simplesmente sensacional. Mas quem se destaca mesmo é Evageline Lily, que no primeiro filme tinha como maior questão da sua personagem o fato de ser superprotegida pelo pai e não ter recebido a roupa ela mesma. Nesse filme ela vem conquistar esse espaço de forma muito merecida., com um excelente trabalho corporal nas suas cenas de ação, a personagem cresce e, assim como no título, divide de igual para igual o filme com Paul Rudd, que mais uma vez está muito no papel do Homem-Formiga, apesar de o personagem, que é construído como sendo habilidoso e inventivo, aqui ser retratado como bobo e até meio burro, o que é um desserviço ao personagem. Ainda assim, o ator segura bem e continua carismático como o inusitado herói.

Um roteiro problemático, bons personagens mal aproveitados, MIchelle Pfeiffer sendo o maior deles, descontinuidade narrativa, uma excelente heroína, mas que sofre do mal de alguns clichés em que a mulher para ser forte tem que ser turrona e meio masculinizada, mas ainda assim é uma conquista, a primeira heroína feminina, no título de um filme da Marvel. Mesmo juntando todos esses elementos Homem-Formiga e a Vespa consegue ser um filme divertido e bom passatempo, mas esquecível e sem muito o que acrescentar além de algumas perguntas quanto aos caminhos inexplicáveis  seguidos pela trama.

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