Tag, de Jeff Tomsic

Com  Jeremy Renner, Ed Helms, Jake Johnson, John Hamm, Hannibal Buress, Isla Fischer

Muitas vezes dizemos para as crianças aproveitarem ao máximo o tempo que tem de simplesmente não ter preocupações, fazer de conta, correr até não sentir mais as pernas, rir até a barriga doer, mas crescemos e esquecemos os prazeres de simplesmente brincar despreocupadamente. “Não paramos de brincar porque envelhecemos, envelhecemos porque paramos de brincar”

Disfarces, armadilhas, planos elaborados, aparições surpresa em momentos importantes, se esconder na expectiva do bote, no caso, tudo pelo prazer de dizer “tá com você”. Hoagie (Ed Helms), Callahan (John Hamm), Chilli (Jake Johnson) and Sable (Hannibal Buress), são um grupo de amigos que começou a brincar aos 9 anos e têm se reunido, ao longo de quase trinta anos, para um jogo de pega-pega, que acontece sempre ao longo do mês de maio, independentemente de onde estiverem. A premissa é a de uma comédia leve com possíveis situações absurdas e divertidas pelo simples fato de ser incrivelmente baseado em uma história real.

O jogo faz mais do que mantê-los próximos à infância e às crianças que um dia foram, apesar de os aspectos infantis da brincadeira serem fortes, já que, até regras do tipo “É proibido meninas” se mantém. Mas para além disso, também mantém viva e próxima a amizade entre eles e, no fim, é só uma desculpa para estarem juntos.

Jerry, interpretado por Jeremy Renner, nunca foi pego e o que faz, desse mês de maio em questão, tão especial é o fato de que ele, supostamente, vai se aposentar ao final dessa temporada e essa é a última chance que o grupo tem de quebrar a invencibilidade do amigo.

O filme começa de maneira muito divertida, com os amigos se reunindo à medida que determina como o jogo funciona para eles agora como adultos e um vai criando maneiras e situações mais elaboradas que o outro para pegar o amigo seguinte. Esse momento é utilizado para definir os personagens e suas características de forma muito eficiente, explorando a mais divertida e mais leve parte da brincadeira, fazendo do primeiro ato uma das melhores coisas do filme.

Quando Jerry aparece é, na verdade, como se o Gavião Arqueiro tivesse aparecido. É como se ele fosse a identidade secreta do herói. Tenta-se explicar as habilidades ninja dele com o fato dele ser um preparador físico, mas, ainda assim, as cenas de Renner parecem pertencentes à uma outra história, o que acaba nos tirando um pouco do filme. E é aí que o filme começa a perder o charme inicial.

Esse é o primeiro longa de Jeff Tomsic e apesar de o filme possuir cenas nitidamente muito bem coreografadas e bem dirigidas, o diretor peca pelo excesso, já que esse é o tom que faz com que o filme fique inverossímil demais, os movimentos heróicos de saltos precisos e incríveis habilidades marciais destoam da ideia de um grupo de homens da vida real que estão por aí brincando de pega. E Isso se agrava pelo fato de que, a leveza com potencial para exploração sensível, ainda que sutil, de questões envolvendo a masculinidade e a amizade, é abandonada, dando espaço à uma caçada que vai se tornando agressiva e beirando a sociopatia, levando o jogo às últimas consequências, longe de um dos maiores atrativos da história, a veracidade dos fatos.

O filme possui bons personagens e apesar de alguns destaques acaba sendo, mais do que qualquer coisa, um desperdício de boas oportunidades, com um elenco excelente e em sintonia. As personagens femininas, com destaque para Isla Fischer, são um furo a parte, superficiais e descartáveis, o que o filme tenta justificar fazendo piada com o fato de ser uma história que aborda as fragilidades da masculinidade, mas falha ao fazer isso já que segue o caminho do absurdo e deixa de lado os aspectos mais sinceros da história. O filme tenta se redimir um pouco no final, trazendo de volta os elementos que funcionaram no primeiro ato, infelizmente, tarde demais, mas termina de forma agradável evidenciando o potencial que tinha para ser um filme excelente.

Longe de ser uma das melhores comedias do ano, a experiência conta com algumas boas gargalhadas intercaladas com momentos mais fracos e até mesmo de gosto questionável, mas que garantem a diversão. Vai até um pouco além, já que, possui um pouco mais de profundidade do que o esperado. apesar de explorar pouco esse aspecto, vai, possivelmente, surpreender nos fazendo pensar sobre o quanto ainda nos permitimos ser crianças e, simplesmente, nos divertimos de maneira boba e despreocupada, certamente deixando aquela vontade de estar com os amigos e até mesmo de brincar.

Patricia Costa

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