Loving Pablo, de Fernando León de Aranoa

Com Javier Barden, Penelope Cruz, Peter Sarsgaard

Uma das figuras mais controversas e populares dessa geração, o narcotraficante colombiano Pablo Escobar, já teve sua história contada diversas vezes no cinema e na televisão. Especialmente nos últimos cinco anos, levando em consideração o sucesso da série Narcos, que ao longo de suas duas primeiras temporadas contou sua ascensão e queda. Agora, após tantas adaptações dessa historia, será que existe algo mais a ser explorado a torno dessa notória figura?

Adaptando diretamente o livro “Amando a Pablo, odiando a Escobar”, escrito pela jornalista colombiana Virginia Vallejo, o filme Escobar: A Traição mostra o crescimento do cartel de Medellín, além de focar no período de 1981 a 1987, onde Pablo Escobar (Javier Bardem) manteve um tumultuoso e intenso affair com a própria Vallejo (Penelope Cruz).

Um dos grandes motivos do filme não funcionar é a escolha do diretor e roteirista Fernando Leon de Aranoa de seguir uma narrativa apenas do ponto de vista da jornalista colombiana. A empatia com que Vallejo descreve o relacionamento a todo o momento, nos faz pensar se realmente ela amava a Pablo ou simplesmente se sentia confortável com os gracejos, dinheiro e fama concedidos pelo narcotraficante, que fazia questão de exibir a amante como mais um de seus troféus. Uma clara relação abusiva que, em nenhum momento, tenta mostrar os momentos mais ternos do casal.

O filme, é claro, também explora momentos essenciais na jornada de Pablo, como seu momento dentro da política colombiana e a determinação do governo americano (representado pelo agente da FBI vivido por Peter Sarsgaard) de colocar um fim no império de terror de Medellín. A não precisão na direção de Aranoa fica clara nos momentos em que o filme esquenta com a fúria e violência nas ações do cartel, que acabam abalando um pouco e tirando o tédio do ritmo que o filme seguia.

Apostando justamente na química e talento do casal na vida real, os atores tentam fazer o melhor que conseguem com o fraco roteiro, que por muitas vezes coloca Penelope Cruz como uma personagem de novela colombiana e Bardem que continua sendo um camaleão, se escondendo atrás de maquiagem e prostéticas, tenta buscar um equilíbrio no tom ameaçador de Pablo. Mas no fim é a mesma história que já vimos, com os mesmos personagens que já vimos, simplesmente dessa vez com menos “plata o plomo”.

Renato Maciel

btn_donateCC_LG

Anúncios