patreon_mensagem-600x265 The Nun, de Colin Hardy

Com Taissa Farmiga, Demian Bichir, Bonnie Aarons, Charlotte Hope, Ingrid Bisu e Jonas Bloquet.

Para vocês quiserem entender todo desenrolar dessa resenha, vou citar uma frase do maior critico de cinema dos últimos tempos, Roger Ebert: “A gente não tem que discutir o filme que queríamos ver, e sim o filme que a gente viu”.

Analisar filmes de terror sempre foi um imenso prazer. Quem me acompanha por aqui e no podcast, sabe que o terror é um dos meus gêneros favoritos. Até porque sentir medo é uma sensação genuína de todo ser humano e aliado com a segurança da sala de cinema, a experiência pode ser única.

Em 2013, Invocação do Mal elevou o terror comercial em um novo patamar, onde a projeção do medo se baseava não em jump Scares, mas sim na sugestão em colocar o expectador sempre um passo atrás do que está “atrás da porta”. É claro que para indústria, a bilheteria fala sempre mais alto e obviamente que a continuação veio em 2016, acompanhada de um fato muito curioso: um personagem que nem coadjuvante era, chamou a atenção do mundo: uma freira chamada Valak, com um visual aterrorizante, protagonizou a melhor cena do filme.

Como falei anteriormente, produtor de cinema sabe ganhar dinheiro e após dois anos, chega aos cinemas A Freira (The Nun) mais um spinoff do universo Invocação do Mal.

Situado na década de 50, a história é contada a partir de um suicido de uma freira em uma abadia na Romênia. Para investigar o caso, o Vaticano manda um padre assombrado e uma jovem prestes a se tornar freira para tentar resolver o caso, mas lá descobrem um segredo profano altamente poderoso chamado Valak.

O diretor Corin Hardy trabalha muito bem o filme, desenvolvendo os três atos de forma bem orgânica. Trabalhando muito bem a sombra, os espelhos e enquadramentos sempre a nos mostrar que algo vai acontecer.

Com uma produção muito bem acabada, ele faz tudo muito certinho, como manda as convenções do gênero. Não apelam para sustos baratos, os efeitos sonoros fazem uma bela sincronia com a cena, se mostrando em muitas vezes quase como um personagem. Toda a ambientação e figurinos estão bem convincentes.

Outro ponto muito importante a citar e a fotografia, colocando muitas vezes um filtro azul, que fazendo o contraste com a fumaça e neblina da noite, da uma sensação aterrorizante. A abadia, em si, é assustadora e muito claustrofóbica.

Porém o filme carece de um bom roteiro, e isso prejudica muito o corpo de atuação principal, protagonizado por Taissa Farmiga, Demián Bichir e Jonas Bloquet (que tenta ser o alivio cômico do filme, e quebra por inúmeras vezes o tom amedrontador da cena, o que na minha opinião, nem devia estar lá). O padre e sua discípula passam por situações aterradoras, mas nunca demonstram isso. No fim, parece que nada aconteceu.

Perceberam que ate agora não citei o personagem principal do filme, Valak, a freira demoníaca? Mas é isso mesmo. A produção perde muito tempo inventando situações para fazer o expectador sentir medo, mas no fundo não assustam. Pelo contrario, em seu 2º ato o filme fica até um pouco arrastado.

Alternando bons e maus momentos, A Freira consegue dar protagonismo a Valak no seu desfecho, que de certa forma funciona e é bem inventivo. Mas no fundo é muito, mas muito pouco para um dos grandes personagens do terror dos últimos anos.

Marcelo Perelo

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