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The Predator, de Shane Black

Com Boyd Holbrook, Trevante Rhodes, Jacob Tremblay, Sterling K. Brown, Thomas Jane e Olivia Munn

Queridos amigos leitores, não sei quanto a vocês, mas regularmente me pergunto por que os estúdios continuam com a mania de mexer em franquias que estão fechadas, lapidadas e que estão em algum canto do nosso querido imaginário????

Entendo que os anos 80 e 90 foram muito importantes para grandes franquias e atores e,  de certa forma, relevo ate a idéia de a nova geração conhecer uma versão atualizada e high-tech, mas Deus do céu, que seja boa. Simples assim!

Essa introdução um tanto rabugenta de minha parte se dá ao lançamento da nova versão de O Predador, famoso filme de 1987 com nosso querido ‘’Arnoldão’’, e que em 1990 trouxe o também astro Danny Glover para uma continuação inferior ao original, mas bem honesta com a franquia.

Para quem não conhece, o personagem Predador figura no panteão como um dos mais importantes ícone da cultura pop mundial. Ou seja, trazer ele de volta não é uma das tarefas das mais fáceis. Pois bem, Shane Black, que trabalhou como ator no filme original, assina a direção e o roteiro dessa nova aventura do caçador alienígena, e a pergunta é: valeu à pena?

Sem rodeios e delongas, não! E vou explicar por que:

Predador começa muito bem por sinal, e já adianto que se o tom fosse esse, estaria ate agora aplaudindo no cinema. Todo primeiro ato é muito bem conduzido, vemos a violência explícita e gore, marca registrada da franquia. A apresentação dos personagens de forma orgânica, dentro da ação, sem os rodeios de uma auto explicação, a progressão do suspense e ótima, já que a caça aos humanos fica evidente, assumo que a quantidade de personagens incomoda além das várias tentativas de criar tramas e sub tramas para eles, mas mesmo assim estava curtindo e muito.

Mas como nem tudo são flores, o segundo ato destrói tudo muito rápido, e aí que entra minha maior decepção com o diretor. Shane Black sempre trabalhou em projetos de sucesso e seus trabalhos foram muito bem aceitos na indústria. Quem o conhece, sabe que o humor negro, as piadas rápidas, os diálogos acelerados estão presentes, mas aqui o humor é disparado o elemento mais fora do lugar, começando com tiradas sarcásticas e partindo pra comédia de vez, com direito até para um ‘’joinha’’ de nosso digníssimo Predador.

Como falei anteriormente, o excesso de personagem na trama deixa o filme totalmente descartável. Concordo que tem algumas boas atuações, como Jacob Tremblay, que faz um menino com grau de autismo elevado e que descobre em segundos a linguagem dos alienígenas, Olivia Munn faz uma bióloga especialista em analisar as criaturas mas que na verdade é um Rambo disfarçado, Boyd Holbrook, o ator principal, que tem o primeiro contato com o Predador. Além de uma equipe de soldados loucos incluindo Thomas Jane com síndrome de Tourette que é absolutamente lamentável e constrangedor, mas é a grande bengala usada pelo diretor para dar o tom absurdo de humor para o filme.

Atrelado a isso, um roteiro onde nada, ou praticamente nada faz sentido, a super exposição da criatura, algo que era impossível nos filmes originais, e daí sim, vêm seu fascínio, com direito a cães predadores que mais parecem à versão má do nosso querido Beethoven. Além de uma versão gigante absolutamente sem sentido. Fora o foco que em momento algum fica no Predador, desculpe o nome do filme é dedicado a ele, somada as tentativas de dar um sentido as inúmeras vindas absurdas a terra, fazem o personagem padecer em uma autoindulgência do nosso diretor.

Finalizando em um terceiro ato que funciona em poucos momentos, Predador é uma miscelânea de coisas sem sentido e sem foco aparente. E que vamos combinar, não merecia nem ser feito. E ainda vou além, a cena final e tão bizarra e tão vergonha alheia, que me fez pensar se Shane Black não estava curtindo com a nossa cara.

Marcelo Perelo

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