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Maniac (Netflix), de Cary Joji Fukunaga.

Com Jonah Hill, Emma Stone, Billy Magnussen, Jed Milgrin e Justin Theroux

Marcando o reencontro de Jonah Hill e Emma Stone, 11 anos após o sucesso de Superbad, a minissérie Maniac é exclusiva do Netflix e conta com produção executiva de Patrick Somerville e Cary Fukunaga, que também assumiu a direção dos 10 episódios, todos baseados na série norueguesa de mesmo nome.

Aqui somos apresentados a dois estranhos: Owen Milgrin (Hill), um discreto e esquecível filho de uma família rica que é diagnosticado com esquizofrenia e Annie Landsberg (Stone) uma amarga jovem que possui fixação em uma tragédia de seu passado. Tentando encontrar um alivio para suas dores, eles chegam à empresa Neberdine Farmacêuticos, onde participam como cobaias em um experimento para um novo comprimido que está sendo desenvolvido para supostamente “consertar” o cérebro humano de uma maneira em que a terapia e a psicologia não seriam mais necessárias.

Assim utilizando do supercomputador GTRA, carinhosamente apelidado de Gertie, o Dr. James Mantleray (Justin Theroux) e a Dra Azumi Fujita (Sonoya Mizuno) utilizam das três etapas: isolação, confronto e aceitação, a fim de ir ao subconsciente dos traumas na vida dos pacientes voluntários no experimento. Tudo começa a sair dos trilhos quando eles percebem que o próprio computador está tendo uma crise depressiva.

Claro que após o primeiro episódio fica evidenciado as referencias no estilo visual da série, afinal é como se estivéssemos vendo uma mistura do filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, com uma pitada da série “Legion” e uma dose extra das estranhezas vindas do diretor Wes Anderson.

Ainda assim a série encontra sua assinatura e sua particularidade, especialmente graças a Fukunaga que utiliza de lentes anamórficas que acrescentam muito no estilo que eles buscam. A escolha visual de representação do futuro com tecnologia oitentista ou as permanentes influências japonesas em todos os cenários, objetos e personagens, que ajudam a criar um ambiente único e que acrescenta nas analogias desenvolvidas nesse universo de ficção científica.

Maniac vai criando um espetáculo visual que ao longo de seus 10 episódios seguem nos dando a sensação de estarmos observando um grande sonho.

Infelizmente a sua narrativa não consegue acompanhar o nível de excelência em sua estética visual. Isso começa a ocorrer principalmente por volta do quarto episódio, onde por causa do experimento, Owen e Annie começam a reviver lembranças juntos de vidas que eles nunca viveram. São histórias e personagens que acabam dando respostas para uma história muito maior.

Afinal, assim como um sonho Maniac é estranho e eventualmente vai confundindo o espectador em cada uma dessas camadas, e isso é ótimo. O que ocorre é que ao apresentar diversos elementos diferentes e às vezes mais interessantes, fica difícil manter o foco somente na jornada da dupla protagonista.

Imagina isso em uma série com 10 episódios que variam entre 25 e 47 minutos, fica um pouco desigual o ritmo e o foco de certos capítulos.

Sem falar que a série parece muito mais interessada em contar a história de Annie, deixando a jornada de Owen muito mais solta. Ela possui um arco muito mais claro e uma resolução muito mais emotiva e satisfatória, o que acaba permitindo Emma Stone brilhar no papel, em especial no nono episódio que deve lhe render indicações aos principais prêmios de televisão.

Mas não pense por isso que Jonah Hill está mal no papel, pelo contrário. O ator atinge diversos níveis em sua atuação e consegue entregar a fragilidade de Owen, ele brilha em cada momento em cena com Billy Magnussen que rouba a série como Jed Milgrin. A diferença está apenas no desenvolvimento do arco do personagem.

No fim da jornada o que percebemos é que Maniac é mais pé no chão do que aparenta ao focar no estudo da mente humana, ao mesmo tempo em que irá inspirar uma série de artigos e estudos por trás das simbologias apresentadas. Para mim a pergunta que fica é se estamos realmente assistindo ao grande sonho de Owen e Annie ou vendo o grande pesadelo por trás de suas vidas.

Renato Maciel

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