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Hunting of Hill House (Netflix), de Mike Flanagan.

Com Carla Gugino, Henry Thomas, Timothy Hutton, Michiel Huisman, Kate Siegel

Após um grande período de produções vazias e focadas apenas nas formas mais genéricas de sustos, podemos dizer que vivemos um grande momento dentro das produções no gênero de terror. Filmes como Invocação do Mal, It: A Coisa, A Bruxa, Babadook, Corra e até o mais recente Hereditário, são uma prova do que novos e interessantes cineastas podem trazer para dentro do gênero.

Afinal, uma obra do horror não se sustenta apenas do escuro e de sustos. Talvez humanizar o sobrenatural seja o principal elemento para atingir os nervos do público fã do gênero e cansado dos mesmos tipos de filme.

Com isso um dos nomes mais elogiados no cenário atual, Mike Flanagan (O Espelho, Hush: A Morte Ouve) traz ao Netflix sua primeira investida no formato de minissérie com A Maldição na Residência Hill, produção livremente baseada no livro de mesmo nome da autora Shirley Jackson e que já havia sido adaptado ao cinema outras vezes, com a sua versão mais famosa sendo A Casa Amaldiçoada lançada em 1999 e protagonizado por Liam Neeson.

Deixando de lado a situação de estranhos se encontrando para um experimento na mansão Hill, Flanagan opta por contar a história sobre os olhos de Hugh Crain (Henry Thomas/Timothy Hutton) e Olivia Crain (Carla Gugino) que durante o verão de 1992 se mudam para a mansão juntamente com seus cinco filhos Steve (Michiel Huisman/Paxton Singleton), Shirley (Elizabeth Reaser/Lulu Wilson), Theodora (Kate Siegel/Mckenna Grace), os gêmeos Eleanor (Victoria Pedretti/Violet McGraw) e Luke (Oliver Jackson Cohen/Julian Hilliard), na intenção de reformar o local e realizar uma venda da propriedade para conseguirem um lucro maior.

No entanto inesperados problemas vêm acontecendo na casa ao mesmo tempo em que a família começa a sofre com experiências sobrenaturais que vão caminhando para um fim trágico. Agora 26 anos após o ocorrido os filhos e seu pai são forçados a confrontar seus fantasmas do passado quando a mansão Hill anseia por uma nova visita da família.

Flanagan já revelou diversas vezes que é atraído por dramas familiares e isso pode ser visto em outras obras suas como Jogo Perigoso, mas nunca trabalhou com esse formato como em A Maldição na Residência Hill. Aqui o diretor constrói totalmente a história com base nas complexas relações daqueles familiares e como seus comportamentos e escolhas na vida são um reflexo de traumas no passado que acaba nos assombrando o resto da vida. Normalmente nos contos de casa assombrada nós acompanhamos a jornada dos personagens buscando sobreviver, aqui nós acompanhamos os efeitos que esses encontros sobrenaturais nos causam e como isso reflete na nossa vida.

A construção do terror também é algo primoroso dentro da série, a maneira que é feita a inserção dos elementos sobrenaturais são de assustar e incomodar até os mais apaixonados pelo gênero. Os famosos jump scares existem (o oitavo episódio guarda o melhor deles), mas são de longe os momentos mais assustadores da série, o terror ocorre na maneira que aqueles personagens vivem, é assustador ver a frieza e desapego daqueles personagens especialmente Steve e Shirley.

Mantendo sua tradição de repetir seus atores, Flanagan traz um elenco afiado e que já tem intimidade em trabalhar com o diretor. Isso é evidenciado na química que eles trazem juntos, nos fazendo acreditar na dinâmica familiar e ajudando a aumentar a atmosfera de ansiedade criada ao redor deles. Um perfeito exemplo disso é no sexto episódio da série, que mostra uma interação assustadora da família no passado e o reflexo disso em suas interações no futuro.

Fazendo um excelente uso de seus dez episódios, Flanagan gasta o tempo necessário para a apresentação de cada um dos irmãos e revelar o quão fragilizado é o relacionamento deles. Tudo claro sendo um reflexo do período passado na mansão Hill; você tem os fantasmas que te assombram no passado que servem como um simbolismo para os fantasmas que são os traumas que carregamos especialmente causados pelo luto. Isso fica evidente  na relação de Luke com sua dependência química. A grande verdade é que o luto é o principal e mais perigoso fantasma que assombra os moradores da residência Hill.

Renato Maciel

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