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Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer

Com Rami Malek, Lucy Boynton, Aaron McCusker, Tom Hollander e Mike Myers.

O Cinema como objeto de arte, tem como uma de suas funções emocionar, criar sentimentos, sensações palpáveis, sentir momentos únicos mesmo não estando perto. E é isso que vivemos quando assistimos Bohemian Rhapsody, a cinebiografia de uma das bandas mais importantes do Rock mundial, Queen.

O Filme convida o espectador a conhecer pelos olhos de seu líder Freddie Mercury, todo o início de sua carreira. É superinteressante e ajuda na narrativa, a abordagem de suas raízes persas, onde todo preconceito e dificuldade em ser aceito são mostrados e sentido pelo personagem. Porém logo no fim do primeiro ato, com a formação e início do Queen, vemos a pegada e como o filme vai levar o público.

Estamos diante de uma grande homenagem a banda que tem inúmeros hits de sucessos que ecoam até hoje, e fica a pergunta: era isso que você queria ver?

Deixando claro isso para nosso leitor vemos uma banda coesa, mesmo em seu início, e que já sabia onde queria chegar. Todos sabiam do seu potencial – o que é interessante, pois não vi como soberba, mas como uma constatação de que estávamos diante de uma banda e músicos diferenciados no rock mundial. Pra quem gosta dos bastidores é fascinante ver a criação das músicas, as reuniões com frases exatamente iguais, já que Brian May participou assiduamente da produção, o que para o fã é incrível!

Mas como falei no início, o filme se passa pelos olhos de Mercury e não tem como não falar de Rami Malek, já disparado o melhor papel de sua carreira e, provavelmente, o papel de sua vida. Seu gestual, toda sua fisicalidade é incrível. Ele consegue trazer toda excentricidade de Freddie Mercury em uma atuação de corpo e alma, muito bem coreografada e dublada. O ator consegue passar verdade e com certeza vai emocionar muita gente. Se tem força para ganhar o Oscar, creio que não, mas a indicação já seria um grande vitória.

O diretor Bryan Singer (que dirigiu mais da metade da produção, mas foi demitido por falta de profissionalismo nos sets), entrega um filme correto dividido em seus 3 atos clássicos, porém peca na falta de conflitos. Sabemos que a banda e principalmente seu líder, tiveram problemas sérios de comportamento, bebidas e relações com amantes. O filme aborda essas questões sim, mas não a ponto de nos preocuparmos com cada um deles. As interações da banda e seus integrantes são incríveis – nota-se uma família desde seu início – e por isso os conflitos deveriam ser mais bem explorados, aí sim sentiríamos o peso das escolhas e decisões.

Outro ponto negativo é que o roteiro se apresenta raso e deixa o filme repetitivo, alternando a criação das músicas com shows. Essa condição se torna cansativa à medida que você nota que a história não se desenvolve com o mesmo peso de seus potenciais personagens.

Bohemian Rhapsody tem seus melhores momentos nos palcos. A execução das músicas é de encher os pulmões e fazer o cinema cantar em uníssono, tudo isso por um design de som muito competente alternando os volumes quando te coloca na plateia, e quando te coloca no palco, essa mudança de percepção é fundamental para sentirmos toda potência e musicalidade da banda. Finalizando com seus 15 minutos de um show da banda sensacional, que com palmas vai te levar a loucura.

Bohemian Rhapsody pode não ser a obra definitiva da banda Queen, mas com certeza é uma homenagem à altura de um dos pilares da música e na minha humilde opinião do maior vocalista que o Rock já teve, Freddie Mercury.

Marcelo Perelo

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