patreon_mensagem-600x265Robin Hood, de Otto Bathurst

Com Taron Egerton, Jamie Foxx, Jamie Dornan, Eve Hewson e Ben Mendelsohn

Se tem algo que podemos dizer é que toda a adaptação do conto popular de Robin Hood é único em sua visão de contar a história, seja a versão romântica de Kevin Costner em Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões, a violenta de Russel Crowe em Robin Hood ou até mesmo a versão satírica dirigida por Mel Brooks em A Louca! Louca História de Robin Hood. São maneiras diferentes de contar a mesma história, mas acho que nenhuma delas chegou ao nível do que vimos em 2018.

Chegando aos cinemas com o objetivo de mostrar a verdadeira história por trás da lenda, Robin Hood: A Origem é uma mistura de diversos outros elementos que com certeza já foram melhores representados em outros filmes. E não digo isso comparando com as outras adaptações do personagem, pois afinal quando sentamos para assistir as aventuras de Robin de Loxley, a última coisa que esperamos são cópias de elementos de filmes como Guerra ao Terror, 300 e Batman Begins.

Tentando apresentar o seu próprio twist dentro da mitologia do herói, eles tentam modernizar ao máximo a história, com uma bizarra maquiagem e roupas modernas que não condizem com o século XIII. São escolhas de alegorias na arte (como na sequência do baile) que tentam deixar o filme um pouco mais atemporal, mas ao mesmo tempo o deixa completamente claro a que século pertence.

Com direção do novato Otto Bathurst, que aparentemente espera ser o novo Guy Ritchie mas falha miseravelmente na criação do ambiente, direção dos atores e principalmente na hora de criar as cenas de ação. A falta de polimento nas cenas em CGI também é visível e ajudam a piorar as sequencias de batalha, com uma menção a terrível sequência de perseguição a cavalo.

Mas vamos à questão que talvez incomode e cause maior estranheza, o fato de apresentar o personagem de Rob (como eles insistem em chamar o personagem no filme) como uma espécie de Bruce Wayne. Ele é um playboy bon vivant que não tem nenhuma espécie de preocupação e vive sua paixão com Marian (Eve Hewson), tudo muda quando ele é convocado para lutar nas cruzadas contra os muçulmanos.

Após 5 anos ele retorna a Nottingham e viu que foi dado como morto. Perde sua residência e o coração de sua amada. Buscando vingança do Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn) ele se junta ao muçulmano Yahya que tem seu nome traduzido para John (Jamie Foxx), que o treina para se tornar um símbolo de esperança para o povo e de terror para os planos do Xerife.

Tudo ali grita Batman Begins e uma clara inspiração na trilogia de Nolan, desde o treinamento de Robin, sua primeira noite como vigilante e até mesmo o fato de John pedir para Robin fingir ser um rico nobre durante o dia e o herói conhecido como Hood à noite.

Mas por pior que parece, um elemento que podemos tentar defender é o elenco. Afinal, não é deles a culpa de um roteiro raso e personagens pouco interessantes, são atores talentosos em sua grande maioria que buscam o melhor desempenho. O protagonista Taron Egerton tem um carisma e tenta passar o ar “descolado” do personagem, mas ele carece nas cenas mais dramáticas, mostrando uma fragilidade para sustentar sozinho um papel principal.

Já o ator Ben Mendelsohn é um caso a parte. Afinal, ele está se tornando um especialista em fazer vilões caricatos e surtados que acabam passando do longe do ameaçador e indo pro lado involuntariamente engraçado da balança.

Bom com tudo isso dito talvez seja até correto afirmar que o bizarro monólogo inicial está certo em dizer: esqueça tudo que você conhece sobre Robin Hood. Pelo simples fato de tudo que esse filme apresenta não é Robin Hood.

Renato Maciel

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