Homem-Aranha no Aranhaverso

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Spider-Man: Into the Spiderverse, 2018

De Bob Persichetti, Rodney Rothman e Peter Ramsey. Com as vozes de Shameiki Moore, Jake Johnson, Mahershala Ali, Chris Pine, Zoe Kravitz, Lily Tomlin e Nicolas Cage.

Criado por Brian Michael Bendis e Sara Pichelli em 2011 para integrar o selo Ultimate dos quadrinhos da Marvel, Miles Morales se tornou o principal Homem-Aranha daquele universo e logo ganhou o coração dos leitores que já desejavam ver uma adaptação do herói desde 2012, quando tivemos o primeiro reboot do personagem no cinema. Chegamos em 2019 e para todos aqueles que acreditavam que seria impossível apresentar um Homem-Aranha no cinema além do clássico Peter Parker, fomos apresentados o vasto e colorido mundo de Miles Morales em Homem-Aranha no Aranhaverso.

Apresentado sua origem vemos Miles Morales (Shameik Moore) um jovem afro-latino que admira o Homem-Aranha (Chris Pine) e tenta sempre superar as grandes expectativas que seus pais têm sobre ele. Com isso Miles acaba sempre buscando apoio em seu tio Aaron Davis (Mahershala Ali), sempre na criação de sua arte no grafite, até que em uma dessas noites em uma estação de metrô abandonada, Miles é picado por uma estranha aranha radioativa e acaba desenvolvendo habilidades especiais.

Os problemas de Miles aumentam quando ele precisa assumir o manto do Homem-Aranha, inspirado no legado do recém-falecido Peter Parker. Mas, ao visitar o túmulo do herói em uma noite, ele é surpreendido com a presença de um envelhecido Peter (Jake Johnson), vestindo o traje do herói por baixo de um casaco. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha que precisam ser unir para salvar todas as dimensões.

Ficou a cargo dos diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey, e Rodney Rothman a arriscada missão de com uma animação apresentar um protagonista popular, mas que não é muito conhecido do grande público; apresentar diferentes versões do Aranha que o público não está familiarizado e o conceito do multiverso que por si só já poderia virar uma bagunça. Felizmente eles acertam ao abraçar a mitologia e o visual dos quadrinhos de uma maneira que nenhum filme fez antes.

Aqui a clássica jornada do herói pelo qual o Homem-Aranha passa, ganha vida com uma incrível animação de cair o queixo, onde por mais que tenha levantado um estranhamento para muitos com seus primeiros trailers, precisou de apenas alguns minutos para colocar o público completamente investido naquela história e abraçando aquele estilo de animação.

Outro ponto em que a animação ganha pontos extras em relação às outras adaptações do personagem é o fato de que por ser animado fica mais prático criar cenas e momentos épicos mais próximos dos quadrinhos, isso graças aos recursos ilimitados da animação.

Mas o ponto forte sem dúvida é a cativante história escrita por Rothman e Phil Lord, onde vemos Miles aflorar como um herói em uma jornada sobre responsabilidades e a mensagem por trás do peso que o manto do Homem-Aranha representa para a população. Mas é claro que por ser um personagem mais novo, Miles não tem tanta bagagem como Peter Parker, por isso a relação dos dois é o coração do filme. Vemos muita química e aprendizado no desleixado, porém experiente Peter Parker e o inocente e inexperiente Miles.

Além disso, a animação encontra tempo para referenciar diversos momentos clássicos dos quadrinhos e das outras adaptações dos personagens, assim como dá o devido espaço para cada um dos outros Aranhas brilharem. Seja o soturno Aranha-Noir (Nicolas Cage), o bizarro Porco-Aranha (John Mulaney), a tecnológica Peni Parker (Kimiko Glenn) e a sensacional Mulher-Aranha de Gwen Stacy (Hailee Steinfeld) que rouba o show. Cada um dos heróis tem seu momento no filme e uma animação característica para seu estilo.

Com isso, se a Sony realmente pretende seguir o seu antigo sonho de ter o seu próprio universo expandido do Homem-Aranha, assim como a Marvel Studios tem com o seu MCU, o mundo animado de Miles Morales de longe é o melhor e mais interessante caminho a seguir.

Renato Maciel

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