Logo Horizontal (preto)Second Act, 2018.

De Peter Segal. Com Jennifer Lopez, Vanessa Hudgens, Leah Remini, Milo Ventimiglia, Annaleigh Ashford, Larry Miller e Treat Williams.

A vida é feita de uma infinidade de momentos e escolhas que nos trazem pra onde estamos agora. Passamos as vezes muito tempo pensando em como seríamos, em quem seríamos se as coisas fossem diferentes, se tivéssemos feito outras escolhas, seguido outros caminhos. Muitas vezes acreditamos que são esses momentos que nos limitam e nos acorrentam eternamente à uma vida muito diferente daquela que gostaríamos de ter, até infeliz em muitos casos.

Quantas comédias românticas já assistimos com a Jennifer Lopez, presa à uma vida diferente dá que lhe cabe? Ela é melhor que uma simples faxineira de hotel, que a simples garçonete resgatada pelo marido que se mostra ser abusivo, é melhor que a sogra acha que ela é… são tantas mulheres definidas pelos relacionamentos, ou pela busca deles.

Filmes que, no geral têm, entre muitos problemas, duas questões que chamam atenção; a constante busca pelos relacionamentos ou a consequência deles e a inferiorização de certas profissões, que ela sempre tem que superar ou da qual precisa se desligar pra se tornar quem deveria ser.

Não seria diferente nesse novo filme. Ela é funcionária de uma grande rede supermercados, que está em busca de uma promoção. É uma excelente profissional com uma ampla visão de gerenciamento, mas que, assim como em outros filmes, está presa a essa vida.

O detalhe, que fez total diferença aqui é que “a culpa” é inteiramente dela, que fez escolhas na vida que a levaram até o lugar onde está, como o fato de não ter feito faculdade. O relacionamento tão explorado como força motora em outros filmes, agora beira a perfeição, com o namoradinho da América do momento, Milo Ventimiglia, que conquistou o mundo das séries como o maravilhoso pai e marido Jack Pearson em This is Us.

A referência é tão grande ao personagem que o filme começa com uma cena do ator carregando uma fatia de bolo de aniversário que remete muito à série escrita por Dan Fogelman. Apesar de ter o “homem perfeito”, ela não consegue se entregar ao relacionamento e ao futuro, porém o relacionamento não tem importância nenhuma, funciona como mera ilustração das questões emocionais que são unicamente dela.

Após o fracasso na tentativa de receber uma promoção, sua melhor amiga vivida por Leah Remini, num papel muito parecido com outros que ela já fez (a italiana desbocada, exagerada e engraçada mas amiga de grande coração), com a ajuda do sobrinho, criam um perfil em redes sociais e um currículo repleto das coisas que ela gostaria de ter feito como cursos universitários, viagens, experiências. A intervenção, em pouco tempo, acaba dando a ela a vida que sempre quis. O trabalho dos sonhos, o apartamento, tudo que ela sempre achou que poderia ter, caso as coisas tivessem sido diferentes.

Mas, aqui nada é muito bem sobre o que parece ser. E, o filme que parecia ser uma questão sobre a experiência e vida e conhecimento adquiridos versus o diploma universitário e avida acadêmica, sofre uma reviravolta que acaba nos levando para reflexões inteiramente diferentes.

O filme não é perfeito tem problemas de ritmo e acaba abraçando muitas causas que, apesar de se conectarem eventualmente, acabam sendo demais em alguns momentos. A direção não acrescente nada de especial, mas também não compromete. E, apesar de o filme ser capaz de inspirar uma série de reflexões diferentes e interessantes, acaba recorrendo há alguns clichês. Há reviravoltas que a princípio parecem pouco críveis, mas olhando com atenção percebe-se que há um cuidado do roteiro em amarrar as pontas sem ser condescendente ou pegar o público pela mão necessariamente.

Que sorte a nossa que, assim como nós, o cinema faz reflexões e evolui. É interessante ver o caminho que J-Lo fez, ao, nesse filme, fugir daquilo que estamos acostumados. A trajetória de sua personagem é inteiramente sua, em suas questões pessoais, suas escolhas, seu passado, seu futuro. Sua história é capaz de nos fazer repensar a maneira como nos relacionamentos com nossos próprios erros e escolhas e a maneira como enfrentamos a vida e seguimos ou não em frente.

Sempre acreditamos que a vida vai ser diferente se conseguirmos aquela promoção, aquele emprego novo, aquele apartamento, se fizermos aquela dieta, ou quando tivermos mais dinheiro, quando resolvermos aquele problema, mas, se fica algo dessa experiência cinematográfica, é a noção de que “Não importa onde você vá, lá você está” e nada vai mudar e nenhuma vida nova vai milagrosamente se materializar, enquanto não resolvermos as questões que temos dentro de nós.

Patricia Costa

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