Minha Fama de Mau

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Idem, 2019
De Lui Farias. Com Chay Suede, Isabela Garcia, Malu Rodrigues, Gabriel Leone, João Vitor Silva e Bruno DeLuca.

As cinebiografias parecem ser uma espécie de novo gênero do cinema brasileiro. São filmes que já tem seu público garantido dentro da base de fãs do biografado e mesmo que ainda longe de fazer a bilheteria das comédias, vêm encontrando seu espaço.

Minha Fama de Mau é  a cinebiografia do Tremendão. O filme narra a juventude de Erasmo Carlos na Tijuca, sua paixão pelo rock, sua amizade com Roberto Carlos e Wanderléa e o surgimento da Jovem Guarda.

Baseado no livro escrito pelo próprio Erasmo, o filme acerta em adaptar apenas o início da carreira do cantor e compositor, seguindo até o final do programa da Jovem Guarda. Utilizando diversos recursos gráficos, que em alguns momentos remetem até aos quadrinhos, o diretor Lui Farias (filho do diretor Roberto Farias, que tem uma pequena homenagem no filme) abusa desses artifícios e usa até mesmo a quebra da quarta parede para criar um ar charmoso e rebelde ao protagonista, esses artifícios funcionam em alguns momentos, até mesmo dado a natureza do personagem, mas logo são abandonados e com o passar do filme, fica a sensação que serviram mais para tirar o foco de um problema grave do roteiro, que é sua falta de conflitos.

O roteiro escrito pelo diretor com mais dois colaboradores, traz Erasmo como um malandro que não quer saber de trabalho, só quer saber das garotas e do seu rock n’ roll. O primeiro ato trabalha na paixão do cantor com a música, sua entrada para esse meio acontece totalmente por acaso, quando o mesmo acorda de um pesadelo e se depara com Roberto Carlos em sua casa. O filme nunca se aprofunda em nenhuma das relações e a única relação de Erasmo é com a música e seu desejo de se tornar um cantor famoso.

Essa falta de aprofundamento acaba tornando o filme uma montagem de uma série de casos que Erasmo viveu, logo não conhecemos a fundo o personagem, acabamos acompanhando uma série de curiosidades. O segundo ato, aborda o cantor já em seu auge, com o surgimento da Jovem Guarda como “movimento” musical e programa de tv. É interessante pela reconstrução da época, são vários os momentos musicais que funcionam, com músicas famosas que ajudam a compreender o sucesso da Jovem Guarda.

O segundo ato foca apenas nesses aspecto do espetáculo. A relação do trio nunca é diretamente abordada, as cenas que trazem os três fora dos palcos nunca trabalha essa relação, até mesmo os conflitos entre Roberto e Erasmo são mencionados por uma terceira personagem, o filme nunca justifica essa grande amizade que surgiu entre os dois. Os momentos mais dramáticos ao final do programa e nos desfecho do longa, perdem totalmente a força, justamente pela falta de aprofundamento. O filme aposta na força da música para emocionar e certamente é um artifício que vai funcionar com muita gente, mas mais pela catarse individual do que pela relação dos personagens.

O maior acerto da produção está em seu elenco. Chay Suede (Rasga Coração) consegue criar essa aura rebelde de Erasmo, enquanto emula o cantor na forma de falar, em pequenos gestos e em sua caracterização. O ator optou junto ao diretor por cantar as músicas e não apenas dublá-las, uma decisão corajosa e acertada que dá mais veracidade a obra.

Gabriel Leone (Piedade) interpreta Roberto Carlos, em um trabalho muito interessante, principalmente por não se prender aos trejeitos do cantor (mesmo que ainda seja possível distinguir em alguns momentos), usando a sutileza para fugir do tom caricatural. Fechando o trio principal, Malu Rodriguez (O Homem do Futuro) pouco pode fazer com um roteiro que lhe dá poucas oportunidades e a renega a coadjuvante do trio. Mesmo assim, a atriz ainda consegue imprimir carisma a personagem e está muito bem nas cenas musicais.

Com uma parte final extremamente problemática, justamente pela falta de um conflito que intensifique o desfecho da obra, “Minha fama de mau” é um filme leve, que deve agradar ao público que quer apenas reencontrar as músicas da Jovem Guarda. Até funciona como entretenimento, mas carece de aprofundamento e falha como cinebiografia, pois não consegue apresentar ao espectador quem de fato é Erasmo Carlos.

Felipe Fernandes

 

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