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Serenity, 2018
De Steven Knight. Com Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Diane Lane, Jason Clarke, Djimon Hounsou e Jeremy Strong.

Existem filmes que nos surpreendem pela história inovadora e por reviravoltas bem construídas, que impressionam pela originalidade. Existe também o oposto, histórias absurdas, com reviravoltas desastrosas e geralmente me pergunto se a idéia não era realmente boa ou se sua execução foi realizada.

Steven Knight é um roteirista experiente, já foi indicado ao Oscar, trabalhou com cineastas do gabarito de Stephen Frears e David Cronemberg, depois migrou para direção e seu último trabalho foi o bem sucedido Locke (2013), um filme ousado e bem executado que se passa praticamente todo dentro de um carro e conta com um único ator em cena. Em Locke é notável como Knight demonstra domínio de roteiro e direção, ao construir uma narrativa eficiente com tão poucos elementos. Tendo essas informações em mente, fica difícil defender seu trabalho em Calmaria.

Escrito e dirigido por Knight, o filme narra a história de Baker Dill (McConaughey), um amargurado veterano da guerra que vive de alugar seu barco para levar ricaços para pescar em uma pequena cidade litorânea. Obcecado por um peixe que ele nunca consegue pescar, ele vai perdendo dinheiro e está a beira da falência. Uma noite, sua ex-esposa Karen (Hathaway) ressurge e faz uma proposta, ela quer que ele leve seu marido pra pescar e o mate, livrando ela e o filho que tem com Baker, dos abusos do marido.

Em um primeiro momento, o filme se apresenta como um suspense bem convencional, com características e personagens comuns de filmes noir. O herói de moral duvidosa, a femme fatale, o vilão que é muito, muito mal, o ajudante do herói, a amante do herói, com seu relacionamento descompromissado. A trama roda em torno destes poucos personagens e de um misterioso vendedor que quer falar com o protagonista e nunca consegue.

Knight desde o primeiro plano busca estilizar a entrada de seus personagens. O trio principal é apresentado com um efeito que busca ser estiloso ao revelar o rosto dos atores, mas é um artifício ruim, parece coisa de quem não sabe o que está fazendo. A primeira aparição da personagem de Hathaway é desde já umas das piores cenas do ano.

Em sua primeira metade o longa tenta desenvolver essa situação, estreitando a relação de Baker com sua ex-esposa, fazendo de tudo para explanar que o atual marido dela é muito mal e merece muito morrer e estabelecendo uma ligação surreal dele com o filho. Tudo muito comum e quando o filme começa a ficar muito repetitivo, o misterioso vendedor consegue se encontrar com o protagonista e acontece um plot twist dos mais inesperados (no pior sentido da palavra).

Tentando evitar spoilers, o filme deixa de ser um suspense noir a beira-mar e vira uma ficção científica (acredite) das mais ruins. Como mencionei no primeiro parágrafo, ás vezes não sei se o cerne do problema está na idéia ou na execução, aqui tenho a certeza que o problema são os dois. A segunda metade é bem bagunçada e a sensação desse plot twist bizarro, fez com que passasse o restante do filme incrédulo com o que assistia.

O filme tem um elenco formado por vários atores famosos, o que não dá pra entender, é como eles entraram nessa furada e quando o texto não ajuda, são poucos os atores que conseguem se salvar, aqui nenhum deles consegue.

Quase tão inacreditável quanto Calmaria, foi saber que Steven Knight estava por trás dessa bagunça. Não que ele seja um grande cineasta, mas seu longa anterior apontou qualidades que não se encontra aqui. Certamente, um retrocesso em sua carreira e do restante do elenco.

Entendo que subverter as regras de um gênero pode ser muito bom, eu geralmente gosto, quando feito com cuidado, costuma resultar em filmes excelentes, mas Calmaria é muito ruim, e já se encontra na briga entre os piores filmes deste ano.

Felipe Fernandes

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