Mal Nosso

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Idem, 2017
De Samuel Galli. Com Ademir Esteves, Ricardo Casella, Laura Pepita, Walderrama Dos Santos, Gabriela Grecco e Thais Prates.

É fácil atacar um filme como Mal Nosso em uma crítica. O filme pertence ao gênero mais execrado pela crítica mundial (embora popular), tem baixo orçamento, atores amadores e diretor estreante. Alvo perfeito para toda crítica preguiçosa.

Mas debaixo de todos os problemas (assim como qualquer outro filme), existe algo bem original e fascinante sobre a história de um homem comum que procura um assassino profissional para encomendar a morte de uma pessoa bem próxima.

Logo de cara, o filme de Samuel Galli começa de forma muito intrigante, apresentando seus protagonistas com muito cuidado, de maneira lenta e sem nenhum diálogo nos primeiros minutos. Por mais limitados que os atores semiprofissionais possam parecer, é aqui, no inicio do filme, que o diretor nos apresenta o mecanismo que vai nos guiar durante toda a trama; a expressividade dos olhares.

E não é a toa que a conclusão da trama, a cena mais marcante dentre as mais assustadoras, apresente um último e revelador olhar. Mas não quero me adiantar.

Mal Nosso teve uma trajetória interessante até finalmente chegar ao circuito nacional. Foi oficialmente lançado longe do Brasil no mercado estrangeiro e reuniu críticas positivas em mais de 30 festivais incluindo o Blood Window 2017 de Cannes e o FrightFest do Reino Unido, garantindo o premio de Melhor Filme de Terror da América Latina no Macabro Film Festival, do México, e Melhor diretor no A Night of Horror, da Austrália.

Quase dois anos depois, o filme finalmente chaga as salas brasileiras com o respeito da crítica internacional e a curiosidade dos fãs de Terror. É surpreendente perceber que a primeira metade do filme tem muito pouco do que se espera de uma produção do gênero ou do que o trailer propõe.

Galli divide sua trama em três atos bem diferentes que quase poderiam ser curtas independentes de outros gêneros, como o Policial, Suspense e Fantasia, por exemplo. Cada subtrama, cada flashback, na verdade, apresentam mais uma peça no quebra-cabeça que se revela como uma história de amor entre pais e filhos (Sim, no plural mesmo). Mesmo que ela seja a forma mais bizarra que a vida pode apresentar.

Esse conceito explica muito bem o título do filme; maldições herdadas por gerações e o questionamento do que é moralmente aceitável para proteger ou estar próximo de um filho. Tudo permeado por reconhecíveis ícones do Terror como exorcismos, assassinos seriais, palhaços sorridentes, visões, demônios, crianças assustadas, mortos que retornam do além, e por ai vai.

O grande mérito é a forma que o diretor consegue fazer com que cada elemento não seja simplesmente um motivo para mais um susto, mas sim, um importante componente na história. Até finalmente puxar o seu tapete com aquele olhar final.

Não vou revelar exatamente do que se trate, até porque acredito que a cena passe despercebida por muitos já que acontece discretamente após o primeiro crédito de encerramento. Mas devo confessar que este último frame foi o que mais me instigou a rever o filme, agora com outra perspectiva sobre os personagens. Certamente te fará questionar toda mensagem lúdica que o final sugere.

Não é todo dia que tiramos algo de um filme de Terror, além de escapismo. Ou saímos de uma sessão pensando quem são essas entidades malignas ou angelicais que escutamos no ouvido. Ou questionamos quais são exatamente estes elementos sobrenaturais que adoramos, ou mesmo qual nosso papel nesta adoração? Em outras palavras, que interesse os deuses e demônios tem em nossas crenças ou dons?

Entendo que essas indagações farão muito mais sentido para aqueles que assistiram o filme ou vivenciaram situações mostradas ali. Talvez nem precise tanto. Afinal, os segredos e as respostas podem estar em qualquer lugar. Inclusive num simples olhar.

Marcelo Cypreste

Confira a analise do trailer deste filme, por Marcelo Perelo no Ratos React

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