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Triple Frontier, 2019
De J.C. Chandor. Com Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie Hunnam, Garreth Hedlund e Pedro Pascal.

Operação Fronteira é um projeto que existe já há algum tempo. Desde 2010, era cotado para ser o filme seguinte de Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) após sua histórica vitória no Oscar. De lá pra cá, ela saiu da cadeira de diretor (assinou como produtora executiva) e para seu posto foi contratado J.C. Chandor (O Ano Mais Violento), um cineasta de poucos longas, mas desde seu primeiro trabalho (pelo qual foi indicado ao Oscar de roteiro também em 2010) vem apresentado filmes consistentes onde o aspecto moral e a ambientação são elementos muito fortes. Após assistir seu longa com a Netflix, fica claro o porquê dele ter sido escolhido para comandar esse projeto.

Pope (Oscar Isaac) comanda uma operação militar particular que há anos tenta pegar um poderoso traficante que atua na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Cansado da burocracia do sistema legal, ele consegue a informação da localização do traficante onde ele guarda muito dinheiro, ele então, reuni um grupo de ex-militares de uma força de elite para dar cabo do traficante e ficar com todo o dinheiro.

A premissa é parecida com a de outras produções do gênero e o primeiro ato do filme parece confirmar isso. Abrindo com uma boa sequência de ação que introduz Pope e sua informante e funciona para estabelecer a situação da região e do protagonista com seu esgotamento com aquilo tudo. Ele então parte para montar a equipe para realização do assalto. Conhecemos então o restante da equipe formada por um elenco de peso, sendo Tom “Redfly” Davis (Ben Affleck) o único personagem com uma vida longe do exército.

O roteiro escrito pelo diretor e o experiente roteirista do gênero Mark Boal (A Hora Mais Escura), aborda a situação dos militares após deixarem a farda e essas questões acabam funcionando como a motivação para os membros se reunirem na missão que foge de tudo o que eles já fizeram.

Antes, eles atuavam em missões “legais”, pois lutavam por uma bandeira, agora embarcam em uma última missão por dinheiro, pela oportunidade de deixar aquela vida para trás em definitivo. Essas questões morais e suas distorções são temas fortes no cinema de Chandor que tem no personagem de Affleck a bússola moral do filme. Esse primeiro ato é bem didático e eficiente em explicar o plano do grupo e os limites que todos eles precisam cruzar para realizar a missão.

Possíveis spoilers a seguir.

A longa sequência da invasão a casa do traficante é tensa, muito bem montada e mostra como os integrantes do grupo se sentem naturais naquela tipo de situação, agindo com rapidez e eficiência. Nesse ponto da trama a ganância entra como mediador moral e se torna um elemento importante no decorrer da história. É justamente Tom quem perde a linha e as atitudes trazem consequências para todo o grupo, fazendo o filme mudar para uma situação totalmente diferente, tema o qual Chandor gosta de explorar, o ambiente, no caso aqui, um selvagem e desconhecido.

O grupo então passa a lutar não só pelo dinheiro, mas por suas vidas e essas situações limite mostram como as prioridades mudam de acordo com a real necessidade de cada um. Crescem as tensões, a consciência começa a pesar e os personagens seguem em uma situação limite onde precisam salvar mais que seus futuros, mas o pouco de humanidade que ainda lhes resta.

A questão sobre o filme se passar na tríplice fronteira é totalmente irrelevante. Desde que foi anunciado, imaginava que o longa fosse tratar da situação da região, como acontece em Sicário, por exemplo, mas toda essa questão é totalmente ignorada. Com pequenas mudanças, a história poderia se passar em qualquer outra zona de conflito.

Os personagens são bem pouco desenvolvidos, tirando Redfly, nenhum deles tem background estabelecido, eles contém algumas características e basicamente são jogados naquela situação. Ao menos o elenco e seu diretor conseguem criar uma idéia de unidade, eles convencem como grupo, parecem de fato ter passado por muita coisa juntas e a sensação de confiança entre eles vai além dos discursos.

Operação Fronteira é uma mistura de filme de assalto com filme de sobrevivência, levanta questões interessantes mas que o próprio filme não dá conta de desenvolver. Com um bom elenco e um dos diretores mais interessantes dessa nova geração, fica a sensação que o longa poderia ter entregado mais. Talvez se apostasse mais em suas reflexões e menos em suas consequências, teríamos um filme mais denso, mais marcante, ao menos funciona bem como entretenimento.

Felipe Fernandes

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