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Suspiria, 2018
De Luca Guadagnino. Com Dakota Johnson, Tilda Swinton, Mia Goth, Jessica Harper e Chloë Grace Moretz

 “A mãe é uma mulher que pode tomar o lugar de todos, mas cujo lugar ninguém pode tomar”.

Lançado em 1977 e dirigido pelo italiano Dario Argento, Suspiria foi um filme de horror que marcou época. Mesmo em meio a sérios problemas narrativos, é uma obra que encanta pelo seu visual espetacular e pela trilha sonora marcante, criando uma atmosfera imersiva poderosa. Se tornou um clássico que influenciou vários artista, dentre eles o também italiano Luca Guadagnino.

Recém saído de seu filme mais bem sucedido, o indicado ao Oscar Me Chame Pelo Seu Nome, a escolha de Guadagnino por um desnecessário remake do filme setentista causou curiosidade. Qual seria a abordagem sobre um filme tão marcante ? Pois bem, dito isso, o cineasta italiano (fã confesso do longa original), consegue criar um longa com personalidade própria, que usa basicamente a premissa e os principais elementos do original e mesmo que nunca chegue próximo do êxtase visual do filme de Argento, não deixa de ser uma bela homenagem.

Na trama, passada em 1977, Susie (Dakota Johnson) é uma dançarina americana que chega em Berlim para realizar um teste em uma renomada escola de dança, voltada apenas para meninas, comandada pela exigente e misteriosa Madame Blanc (Tilda Swinton). Ela encanta a professora e enquanto trabalha duro nos ensaios e aprofunda sua relação com Blanc, um psiquiatra procura por uma menina que desapareceu da escola, que ela alegava ser comandada por bruxas.

O roteiro escrito por David Kajganich já na primeira sequência entrega uma das informações primordiais do primeiro longa, a escola é comandada por bruxas. Guadagnino compreende que seria um erro repetir o original e trabalha de forma a quebrar com qualquer expectativa. Um de seus maiores acertos é trabalhar melhor a história, que aqui ganha alguns contornos políticos que funcionam muito bem, principalmente devido ao ano em que se passa a trama.

As relações das meninas são pouco trabalhadas, mas a relação entra a protagonista e Blanc é um ponto forte que funciona em uma crescente e ganha força no ato final. O ponto mais incômodo a maneira como Susie chega e rapidamente vai conquistando espaço dentro da companhia, é uma relação sem muito percalço, seria interessante trabalhar o crescimento dela na escola e no meio daquelas mulheres.

Repetindo a parceria com o diretor de fotografia Sayombhu Mukdeepron (Tio Boonme), o diretor trabalha uma paleta de cores como o marrom e o bege, de forma dessaturada, tudo meio gasto, até mesmo os elementos que trazem  o vermelho, são em um tom pouco vibrante. Essas cores dialogam com a o cinza e a frieza da Berlim retratada no filme. Os cenários (elemento fundamental no longa original) são pouco chamativos, o prédio funciona mais como uma velha escola de dança, fugindo daquele aspecto lisérgico do longa de Argento.

Guadagnino faz um trabalho de direção que remete muito aos filmes dos anos 70, com utilização de zoom In longos e abruptos, planos longos, com uma movimentação que explora muito o ambiente como um todo. Em determinados momentos, alguns desses movimentos de câmera parecem até um pouco desleixados, mas essa característica se mostra eficiente ao trabalhar o incômodo que permeia toda a obra.

Outro elemento que ganha força no remake é a dança. A escolha de uma coreografia com movimentos duros e agressivos contrasta com a beleza e sutileza dos corpos femininos e junto a montagem intensa, as cenas de dança causam desconforto, sendo elemento estético poderoso dentro das duas principais cenas da produção.

No elenco, Dakota Johnson convence como dançarina, mas não está bem como protagonista. Sua atuação perde ainda mais força quando atua com Tilda Swinton. A atriz, famosa por sua versatilidade, interpreta três papéis (dois irreconhecíveis) importantes na trama e tem seu grande destaque como Madame Blanc. Com uma postura ereta, com seus longos cabelos e um olhar dúbio, sua personagem surge como uma espécie de Mona lisa maligna, o filme cresce muito em função de sua atuação, que alterna entre a ternura e o rigor, na personificação maior da mãe, um dos temas principais do longa.

Contando com um clímax muito violento e graficamente impactante, Suspiria: A Dança do Medo é um remake com personalidade que busca explorar os pontos fracos do original, mas que nunca consegue alcançar o seu poder lisérgico e imersivo. Respeitoso com o filme de 77, funciona como uma homenagem e mostra que apesar de desnecessário, Guadagnino soube fugir da maioria das armadilhas e construiu uma narrativa que prima pelo incômodo e não pelo terror.   

Felipe Fernandes

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