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El Ángel, 2018.De Luis Ortega. Com Lorenzo Ferro, Chino Darín, Malena Villa, Mercedes Morán e Juan Pedro Lanzani.

“As pessoas são loucas? Será que ninguém considera a chance de ser livre? De ir onde você quiser, como quiser. Todos temos um destino. Eu sou um ladrão por natureza. Eu não acredito em “Isso é seu, isso é meu”.

Jovem, bonito, aparentemente despretensioso e sedutor. Os primeiros minutos do filme nos dizem muito sobre Carlitos e sobre o que esperar, não só de Carlitos, mas do filme. Ao som de uma música cativante o personagem nos leva para dentro de uma casa vazia, onde, com uma naturalidade impressionante e total despreocupação por consequências, passeia por cômodos, analisa objetos, dança de forma leve e sedutora, sem apego, sem cerimônia.

É quase como se a casa fosse a mente do belo jovem de classe média, que viria a ser o maior serial killer da história da argentina, pessoa com a maior sentença já registrada no país.

O filme impressiona de imediato pela qualidade da produção. A direção de arte com uma ambientação e clima perfeitos dos anos 70, arrematados por uma trilha que se encaixa perfeitamente com o clima e com os momentos do filme, fazendo rir em alguns momentos e até mesmo te acompanhando tempos depois do fim da projeção, o que foi motivo de algumas críticas, considerando a natureza vil de Carlos Eduardo Robledo Puch, em quem a história foi inspirada. Mas não se engane, não há uma romantização do personagem, ou de sua vilania, apesar de alguma leveza em certos momentos da narrativa, o filme é muito mais pesado do que aparenta em um primeiro momento.

Lorenzo “Toto” Ferro é uma força impressionante na pele de Carlitos, um personagem que fala muito pelo olhar e nos silêncios, sendo sua frieza assustadora. O fato de esse ser o primeiro filme do ator é ainda mais impressionante e reverbera na direção de Luis Ortega, em que todas as atuações se destacam de alguma forma. Há um mérito do roteiro no fato de os personagens serem bem construídos nas suas peculiaridades e mesmo com pouco tempo de tela de alguns personagens é possível entende-los, suas motivações, mas isso se magnifica com uma excelente direção de atores e com grandes nomes do cinema a seu serviço como Mercedes Morán, Daniel Fanego, Cecilia Roth, Luis Gnecco, os personagens fluem e passeiam pela tela..

Chino Darín também é um destaque, o ator, filho do astro Ricardo Darin, se consolida a cada trabalho como um grande nome no cinema Argentino seguindo os passos do pai. Seu personagem, Ramón, possui uma relação ambígua e surpreende com Carlitos e o desenvolvimento do relacionamento dos dois está na trama como um espelho da mente doentia do protagonista e muitas de suas questões acabam se refletindo no relacionamento dos dois com desdobramentos imprevisíveis.

Com algumas cenas marcantes, como uma belíssima cena de Toto Ferro ao piano, Luis Ortega criou um longa que passeia entre o filme de arte e a ação, com planos interessantes e inusitados, uma leveza que é irrompida constantemente pela tensão, até evoluir para a violência, explorada com uma banalização que nos transporta à mente e ao vazio emocional de seu protagonista.

A direção de destaca, sendo arrematada por uma preocupação com os detalhes, uma qualidade altíssima da produção, da direção de arte, da trilha, que fazem com que o filme seja quase redondo, sendo o roteiro o possível problema, já que parece faltar uma motivação ou um arco narrativo, que justifique a história, mas, a meu ver, esse silêncio esse vazio é o grande arco, tal qual o vazio dos sentimentos, a ausência dos remorsos, a banalização da violência, há um intertexto, uma metalinguagem entre a construção do filme e a personalidade do protagonista que funciona muito bem e faz do filme uma obra mais complexa do que parece ser. Tão redondo quanto a transformação da casa em que o personagem se encontro no início e no final do filme, refletindo a evolução do arco do personagem.

Um filme surpreendente que te leva durante o tempo de duração a lugares muito diferentes entre o riso e a surpresa, recriando o reflexo da mente de um psicopata, sedutor, frio e chocante na mesma proporção, O Anjo é definitivamente um grande representante do cinema argentino e merece um lugar entre os grandes filmes sobre o tema.

Patricia Costa

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