A Maldição da Chorona



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The Curse of La Llorona, 2019. De Michael Chaves. Com Linda Cardellini, Roman Christou, Raymond Cruz e Patricia Velasquez.

Baseado em uma folclórica lenda urbana oriunda do México, “A maldição da Chorona” traz elementos da cultura latina, misturada com um pouco da cultura indígena como seu diferencial. A história era contada para impedir que as crianças saíssem de casa durante a noite e narrava a trágica história de uma mulher que pegava crianças para substituir seus filhos que haviam sido afogados por ela em vingança contra seu marido. Existem diferentes versões, mas todas tem a água como elemento principal.

Na trama, Anna é uma assistente social que perdeu o marido recentemente e precisa se desdobrar para dar conta do trabalho e criar os dois filhos. Ao visitar uma família de imigrantes mexicanos a qual ela acompanha já a algum tempo, ela encontra os filhos trancados dentro de um armário, enquanto a mãe diz os estar protegendo. Após o resgate, as crianças são encaminhadas para um local, onde logo somem e são encontradas mortas, afogadas em um rio da região. Após esse trágico acontecimento, seus filhos começam a ter estranhas visões e a família passa a ser perseguida pelo espírito que chora.

Partindo de uma premissa interessante, esses elementos da cultura mexicana trazem uma possibilidade estética razoavelmente nova para esse tipo de produção, é uma pena que seja tão pouco explorada pelos realizadores.

Após os eventos que culminam na morte dos meninos mexicanos, a Chorona encontra o filho da protagonista, na cena que certamente é a mais tensa do longa e é uma pena que ela tenha sido reproduzida quase que inteira no trailer, comprometendo a experiência.

Chama a atenção o descrédito dos realizadores com o potencial do material, já que usam a melhor cena do filme no trailer, com o objeto de atrair o público e ainda fazem uma desnecessária ligação com a franquia de “Invocação do mal”, ao trazer um personagem central da história de Annabelle e tudo por ter sido produzido por James Wan, o idealizador do bem sucedido universo compartilhado.

O filme carece muito de criatividade, em todos os aspectos. A começar pelo visual da criatura, pouco imaginativo, parece uma noiva, com véus esvoaçantes e uma feição macabra marcada pelas lágrimas. Suas aparições não são impactantes, o diretor Michael Chaves (que faz aqui sua estréia em longas) não consegue trabalhar o suspense, a expectativa, elemento tão forte nos dois filmes principais da franquia, praticamente não existe. (e preocupa bastante o fato dele ter sido o escolhido de Wan para comandar o terceiro “Invocação do mal”). As cenas são pouco criativas, não assustam, tornando o filme muito previsível.

Um dos aspectos do longa é a ausência de uma figura masculina paterna, tanto na lenda urbana (a Chorona mata os filhos para se vingar do marido), quanto nas duas famílias representadas, a figura do pai não existe. Portanto é de se estranhar que no terceiro ato, o longa introduza um curandeiro (figura masculina), especialista nesse tipo de situação, em uma das poucas cenas que resgatam os elementos estéticos que poderiam agregar algum diferencial.

O fato do curandeiro ser convenientemente um ex-padre (leia-se, homem sem família) e usar a família da protagonista como isca para capturar o espírito (Esse não é o desfecho do filme), poderia render situações que dialogassem com essa situação da ausência da figura paterna, mas o filme não permite aprofundamentos e fica na mesmice ao se tornar uma espécie de “Esqueceram de mim” com espírito. O desfecho é frustrante, mostrando como o excesso de produções desse estilo vem causando desgaste na franquia e no público.

Ao final da sessão, ao menos se justifica o descrédito no material. Um filme de terror que não assusta, não incomoda, não provoca sensações no espectador. Depois do  insosso “A freira” e desta fraca produção, fica cada vez mais evidente o final melancólico que se aproxima a franquia. “Invocação do mal 3” provavelmente será a pá de cal.

Felipe Fernandes

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