patreon_mensagem-600x265
Avengers Endgame, 2019. De Joe e Antony Russo. Com Robert Downey Jr. Chris Evans, Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Brie Larson, Don Cheadle, Paul Rudd, Jeremy Renner e Josh Brolin.

Passados alguns dias desde sua estreia, passada toda a emoção e a catarse coletiva proporcionada pelo desfecho dessa primeira década da Marvel, chegou a hora de realizar uma avaliação livre para os spoilers (se você chegou até aqui, suponho que já tenha voltado com o estalar de dedos do Hulk), portanto, fica o último aviso de spoilers.

Confesso, que como leitor de HQs há 22 anos, alguns momentos deste filme foram realmente marcantes. Minha formação pessoal é diretamente ligada com os quadrinhos e é tão inevitável quanto o Thanos se emocionar e empolgar com alguns momentos vistos em tela. O longa é definitivamente uma grande celebração aos quadrinhos, a tudo que a Marvel fez nos cinemas desde 2007, mas, principalmente a todo o público que vêm acompanhando esses personagens, que saíram de um nicho, para explodir como protagonistas da cultura pop dessa geração.

Conforme escrevi em minha crítica sem spoilers, é um grande filme, mas não é passível de defeitos. Porém, os acertos são tantos e de uma complexidade tão impressionante, que os defeitos perdem força frente aos acertos e aos momentos criados em tela.

Só pra constar, não pretendo aqui discutir eventuais furos de roteiro criados pelas viagens no tempo, pois apesar de adorar esse tipo de história, é impossível fugir dos problemas decorrentes dela.

O longa abre sem alarde, logo de cara com a ausência mais sentida do filme anterior, Clint Barton. A cena é perfeita para dar o tom de desespero que os efeitos do estalar de dedos causaram em todo o mundo. Ele é o herói com TUDO a perder e ele perde. É tocante seu desespero.

Após ruídos de trovões, entra uma música, que aparenta ter saído diretamente do Walkman de Peter Quill e somos levados ao espaço onde Tony Stark e Nebulosa brincam para passar o tempo, um contraste interessante, beirando o fim inevitável.

Os irmãos Russo mais uma vez mostram que entenderam que o universo de heróis sempre foi sobre os personagens. Todos querem ver o quebra pau com Thanos, mas são as relações entre eles que formam o verdadeiro espírito dos quadrinhos e lógico nas suas versões cinematográficas.

Assim como em Guerra Infinita, esse capítulo dos Vingadores precisa resolver muitas questões, mas enquanto o longa anterior, tudo se encaixava como um quebra-cabeças, de forma progressiva, com uma montagem muito redondinha, que dividia os núcleos de forma orgânica, Ultimato tem um ritmo mais irregular e padece de um mal muito comum nos quadrinhos, o chamado Deus ex-machina, quando uma solução surge meio que do nada e resolve um determinado problema.

Há começar pelo resgate de Tony Stark e Nebulosa. Dentre as muitas teorias criadas pelos fãs, a de que a Capitã Marvel fosse resgatar a dupla era a mais fácil e também por isso a mais decepcionante. Em um longa que fecha vários ciclos narrativos, acreditava que assim como no Homem de Ferro original, Stark (com a ilustre parceria de Nebulosa), iria conseguir tirar um coelho da cartola e tirar eles de lá. A chegada da Capitã Marvel é muito prática, resolve rapidamente um problema, mas soa uma solução preguiçosa.  

O roteiro da dupla Christopher Markus e Stephen McFeeley é ousado, ao dar fim a Thanos logo no início da projeção (mesmo que ele retorne depois em uma versão decepcionante), de uma forma rápida, mas que funciona e faz total sentido com o que foi mostrado anteriormente e será posteriormente. Em seguida entra um elemento responsável por grande parte da carga dramática, o tempo.

Esses 5 anos de hiato, são perfeitos para dar a real dimensão do ocorrido pós-Thanos. Se tudo se resolvesse semanas depois do estalar de dedos, os efeitos seriam minimizados, mas esse longo tempo, traz um peso dramático primordial. Os irmãos Russo se permitem momentos de respiro para trabalhar esse luto, em um longa tão extenso e repleto de questões a resolver, é louvável que se permita um tempo para sentir o estado dos que ficaram.

Outro efeito Deus ex-machina é o retorno do Homem Formiga. O personagem retorna sem maiores explicações, tendo como única justificativa a sorte e isso vindo da boca de Tony Stark, faz parecer ainda mais absurdo.

O surgimento da nova oportunidade e a reunião dos Vingadores funciona muito bem e somos apresentados a duas versões surpreendentes, o Hulk inteligente e o pai Tony Stark. A nova forma do Hulk funciona muito bem dentro da trama, é parte essencial dela, mas eu particularmente não comprei a explicação. O arco dramático de Bruce Banner já começa resolvido, uma das resoluções preguiçosas do roteiro.

Já a família Stark é uma grande sacada. Após quase morrer no espaço e ter sua maior derrota, o obcecado Tony Stark foi morar no campo e construiu família. Outra escolha que traz um peso enorme as escolhas subsequentes.

A viagem no tempo/linhas temporais abre um precedente muito perigoso para o futuro do universo cinematográfico da Marvel, mas é uma ideia que permite aos personagens revisitar momentos icônicos de toda jornada sobre um novo ponto de vista, é um deleite para os fãs rever situações com novos desfechos, versões mais novas lutando contra as versões atuais, são momentos com muito estilo dos quadrinhos e as soluções são inteligentes, permitindo não só momentos de ação desenfreada (o filme entra em um ritmo alucinante), mas permite pequenos momentos que indicam o encerramento de arcos dos Vingadores principais.

Uma característica muito interessante de Ultimato, é dar maior relevância para outros filmes da Marvel, como o primeiro Homem Formiga, o terrível Thor: Mundo Sombrio e o decepcionante Era de Ultron.

Roteiros de cinema, contém alguns artifícios e um deles é o de dar uma dica ou sugestão ao espectador, para futuramente recompensá-lo de alguma forma. Aqui a Marvel leva essa artifício a outro patamar. Quando vemos o Capitão levantando o Mjolnir, temos uma recompensa de um momento que aconteceu há quatro anos, a deixa da volta dos heróis é outra referência muito inteligente que faz menção ao filme do Soldado Invernal. Chegando ao ponto da cena do elevador que tem um final completamente diferente com uma referência a uma saga bem recente dos quadrinhos do Capitão América.

São momentos como esse, em que a Marvel parece agradecer todo investimento financeiro e sentimental de cada fã em seu ambicioso projeto. De uma certa forma o fã se sente especial, é o fã service levado a outro nível de qualidade.

A metade final é um caso a parte. O resgate das joias, o estalar de dedos do Hulk e a guerra com Thanos e seu exército são muito empolgantes, depois dos eventos do último filme, a tensão é grande, pois temos consciência de que os heróis de fato correm riscos.

A volta dos heróis, mesmo que previsível, é muito bem orquestrada, quem é fã, é difícil se conter. A forma e o momento como eles surgem é outro grande exemplo de Deus Ex-machina, mas funciona tão bem, acontece de uma forma tão épica (merece elogios a trilha do experiente Alan Silvestre. grande responsável pela força da sequência), que não tem como ficar indiferente. Me peguei lembrando da arte do lendário George Perez, em sua páginas abarrotadas de heróis para todos os lados.

Dentro da imensa batalha, cada personagem tem seu momento, são cenas construídas de forma a costurar cada participação, tendo inclusive um grande momento Girl power.

Nesse último capítulo fica cada vez mais claro, o quanto tempo essa história vem sendo desenvolvida. É um plano ambicioso de anos, com um desfecho muito satisfatório. Todos os Vingadores originais tem desfechos condizentes com suas jornadas, mas merece destaque especial a trinca principal.

A Marvel constrói finais cíclicos, criando desfechos que dialogam diretamente com o início. Thor salva seu povo e consegue se livrar do fardo de ser o príncipe de Asgard. Steve Rogers consegue voltar para seu tempo e para sua amada e Tony Stark, bem, a icônica frase que fecha a pedra fundamental do universo cinematográfico da Marvel ganha toda uma nova conotação.

Se no primeiro Homem de Ferro, Tony Stark conta a todos sua identidade secreta, por não conseguir deixar de ser o centro das atenções, aqui ao se assumir como Homem de Ferro, ele mostra que está disposto a se sacrificar por todos. Uma frase que fecha com elegância, emoção e mostra a complexidade de todo arco dramático percorrido pelo personagem em todos esses anos.

Assim como sua primeira cena, em que abre com um momento em família de Clint Barton, o longa se encerra com um momento de intimidade de Steve Rogers, em uma cena que demonstra mais uma vez a importância do personagem e não de seu simbolismo.

Vingadores: Ultimato é um filme evento, como nos melhores momentos dos quadrinhos da editora. Tem alguns problemas, algumas decisões equivocadas e um ritmo irregular em alguns momentos, mas é uma obra de estrutura narrativa complexa e com uma carga emocional muito forte. São tantos acertos que levam a um final satisfatório e respeitoso. Talvez não seja o melhor filme da Marvel (para mim não é), mas é uma filme que marca toda uma geração.

Avante Vingadores!

Felipe Fernandes

Curta nossa página no Facebook, Youtube, Twitter e Instagram e participe! Deixe sua opinião sobre o filme neste post ou nos mande um e-mail dizendo se concorda ou discorda da gente, deixando sua sugestão ou crítica: contato@ratosdecinema.com.

catarse LOGO
Patreon_LOGO
Padrim_LOGO
Essa imagem tem um atributo alt vazio; o nome do arquivo é ratosdecinema
Você já conhece o PRIME PASS.?
Essa imagem tem um atributo alt vazio; o nome do arquivo é card-affinibox.jpg

Curta nossa página no Facebook, Youtube, Twitter e Instagram e participe! Deixe sua opinião sobre o filme neste post ou nos mande um e-mail dizendo se concorda ou discorda da gente, deixando sua sugestão ou crítica: contato@ratosdecinema.com.

Anúncios