Cemitério Maldito

patreon_mensagem-600x265
Pet Semetary, 2019. De de Kevin Kölsch e Dennis Widmyer. Com Jason Clarke, Amy Seimeltz, Naomi Frenette, Lucas Lavoie e John Lithgow

Lançado em 1983, “O Cemitério” traz  a história mais mórbida e macabra da carreira daquele que é muito provavelmente o autor mais adaptado da história do cinema. Stephen King se destacou por histórias com personagens marcantes e por trazer o terror para o dia-a-dia das pessoas. O terror saiu dos castelos distantes e passou a residir na casa ao lado ou em sua própria casa.

Com o grande sucesso da adaptação de IT: A Coisa em 2017, suas obras estão sendo novamente revisitadas. Cemitério Maldito chega aos cinemas trinta anos após sua primeira adaptação, um filme eficiente, que se tornou cult, já a nova adaptação surge como um filme oportunista, com o objetivo de narrar a história para as novas gerações e surfar na onda do sucesso, dessa redescoberta do material de King.

Na trama, o dr. Louis Creed (Jason Clark) e sua família se mudam para a área rural do Maine em busca de uma vida menos agitada. A nova casa fica ás margens de uma rodovia e aos fundos do terreno, existe uma grande floresta, onde fica um sinistro cemitério que as crianças usam para enterrar seus animais. Após um acidente, Creed pede ajuda a um vizinho que vive ali a muito tempo, e as consequências de seus atos vão criar uma espiral de terríveis acontecimentos.

A trama é bem direta e com poucos elementos. São poucos personagens, poucas locações, tudo se passa muito com a família e sua nova casa. O roteiro escrito pela dupla Matt Greenberg e Jeff Buhler aposta em uma abordagem mais visual, deixando de lado o desenvolvimento da loucura progressiva do protagonista.

Inserindo elementos como a procissão das crianças, que esteticamente funciona muito bem, mas acaba sendo pouco explorada, o filme têm um ritmo muito corrido que não permite ao espectador ou a própria história um momento de respiro, para absorver os acontecimentos. São cenas de susto que imediatamente são emendadas na cena seguinte, quebrando a atmosfera criada pela cena anterior. Até mesmo essas cenas, são rápidas, falta paciência para construção da tensão, do clima que precede o susto.

Outra aposta visual do filme é no trauma de Rachel (Amy Seimetz), que traz  possibilidades de cenas assustadoras, mas é mal trabalhada, soa deslocada e não acrescenta praticamente nada a história principal.   

O filme faz uso de efeitos práticos em sua maior parte, uma grata surpresa, que sempre funciona melhor que os efeitos digitais. Porém os efeitos digitais são usados nas cenas noturnas do cemitério e não convencem, tirando um pouco do peso de um local de suma importância para a trama.

O roteiro segue bem fiel ao livro em termos de trama até o seu terceiro ato, quando o incidente de virada da história acontece e temos uma pequena surpresa (que olhando agora, é estragada pelo material de divulgação) que altera drasticamente a dinâmica dos acontecimentos do terceiro ato. Desse momento em diante, o filme muda totalmente em relação ao material original e ao primeiro filme. Uma mudança corajosa e inteligente, pois permite ao novo filme sair da sombra  do material anterior e ter um pouco de originalidade.

O novo terceiro ato segue na proposta visual e o final funciona dentro dessa abordagem. Ele não é tão chocante quanto o original, mas funciona realmente bem. É provável que mais alterações durante todo o filme fizessem bem ao longa. É uma história simples, mas muito marcante para parte do público (eu mesmo fiquei surpreso do quanto lembrava da história), o ato corajoso de mudar o final, poderia ser estendido para outras partes do longa, sem mudar o espírito da obra.

O novo Cemitério Maldito é um filme com premissa interessante, mas sem personalidade. Um longa desnecessário, que funciona mais pelas surpresas do terceiro ato, justamente quando a produção ousa um pouco mais. Nessa nova ordem de Hollywood de revisitar certos filmes, esse era melhor ter ficado enterrado.               

Felipe Fernandes

Curta nossa página no Facebook, Youtube, Twitter e Instagram e participe! Deixe sua opinião sobre o filme neste post ou nos mande um e-mail dizendo se concorda ou discorda da gente, deixando sua sugestão ou crítica: contato@ratosdecinema.com.

catarse LOGO
Patreon_LOGO
Padrim_LOGO
Essa imagem tem um atributo alt vazio; o nome do arquivo é ratosdecinema
Você já conhece o PRIME PASS.?
Essa imagem tem um atributo alt vazio; o nome do arquivo é card-affinibox.jpg

Curta nossa página no Facebook, Youtube, Twitter e Instagram e participe! Deixe sua opinião sobre o filme neste post ou nos mande um e-mail dizendo se concorda ou discorda da gente, deixando sua sugestão ou crítica: contato@ratosdecinema.com.