A Espiã Vermelha

2019. Red Joan. De Trevor Nunn. Com Judi Dench, Sophie Cookson, Tom Hughes, Stephen Campbell Moore, Ben Miles e Nina Sosanya

Conhecimento é poder. Durante muito tempo a busca por descobertas que pudessem colocar uma ou outra nação a frente, em uma espécie de xadrez, determinou o comportamento de países na busca por se tornarem a maior potência mundial, resultando em inúmeras guerras com perdas humanas inimagináveis, com a ciência ocupando lugar de destaque com invenções que mudaram o rumo da história.

Com tantos interesses em jogo, seria possível àquela altura pôr fim ao perigoso jogo entre forças opostas que ameaçava a vida de milhões?

Cerca de 50 anos após o fim da última grande guerra, Joan, uma senhora de idade avançada, com cerca de 90 anos, é presa em sua casa, acusada de traição. Apesar de aparentemente estar vivendo um dia normal e ter sido pega de surpresa, há no olhar e nos gestos, quase exasperados, algo que entrega uma certa ansiedade. Ela nega as acusações, mas perdida dentro de suas memórias, nos leva através do tempo, até um momento muito distante de sua vida, mas nitidamente vivo e rico em detalhes.

A jovem Joan é a única mulher estudante de ciência em sua turma e a tranquila e pacata jovem, parece levar uma vida desinteressante, até que uma visita inesperada no meio da noite a leva para um universo aparentemente impensável àquela altura; de política, segredos e grandes paixões, que talvez tenham determinado o rumo de sua vida, apesar do filme nos fazer acreditar que, na verdade, foi tudo questão de princípios, há uma ambiguidade nas motivações da personagem que ficou faltando no filme, construído ao redor das boas intenções da suposta espiã, que acaba participando do desenvolvimento de uma das armas mortais da historia.

Somente uma atriz como Judi Dench poderia entregar em tamanha riqueza de sentimento, em olhares e gestos contidos a complexidade de sua personagem, para além das limitações do roteiro.

Infelizmente os caminhos seguidos pelo roteiro desperdiçam, não só uma atriz talentosa, mas a complexidade de uma personagem e uma temática tão ricos e repletos de nuances e possíveis ambiguidades. Ao invés de explorar essas possibilidades, opta-se por uma linearidade na construção de uma mocinha, numa narrativa quase novelesca.

Será que somente nossa crença em estarmos fazendo o certo nos isenta de culpa frente as escolhas que fazemos. O que determina o que é certo ou errado? As consequências, as intenções, as leis? O filme levanta questões mas que parecem muito mais mérito da história em si, do que dos caminhos narrativos do roteiro ou da direção, que apesar de não comprometer, falha em dar a historia o tom necessário, já que mesmo como drama o filme falha em nos conectar com a história e seus personagens.

Há um grande arco evolutivo da meninas ingênua, estudando sozinha em seu quarto até a mulher acusada de trair seu país, mas ainda assim parece pouco, considerando o material disponível e o filme não engrena, tem dificuldade de se manter interessante e acaba deixando a sensação de ser longo demais.

A história é interessante e as questões que levanta relevantes e assistir à Dama Judi Dench é sempre um prazer a parte e, apesar de não ser ruim, em tempos de canais de streaming, o resultado parece não justificar o lançamento cinematográfico, já que até o formato de série poderia ser mais adequado aos caminhos escolhidos.

Patricia Costa

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