John Wick 3: Parabellum

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2019. John Wick Chapter 3: Parabellum. De Chad Stahelski. Com Keanu Reeves, Halle Berry, Laurence Fishburne, Ian McShane, Lance Reddick, Mark Dacascos, Ruby Rose e Angelica Huston.

John Wick excomunicado em 3…2…1

John Wick virou um clássico instantaneamente, revolucionando o universo do cinema de ação atual e esse terceiro episódio estava sendo aguardado ansiosamente. Expectativa demais é sempre um risco, mas mais uma vez ele não só dá conta das expectativas, mas eleva o nível do jogo de forma muitas vezes inacreditável.

O filme retoma o personagem onde o deixamos no segundo filme, sem que, aparentemente, um minuto sequer tenha passado, correndo pelas ruas após ter assassinado um homem do conselho dentro do hotel continental. 

Em um filme que criou seu próprio universo de vilões, com regras, ética e um senso de etiqueta peculiares, a transgressão de Wick é imperdoável, já que o hotel é considerado terreno sagrado. 

O que Parabellum faz é nos levar ainda mais para dentro desse universo, onde temos acesso a mais elementos do seu funcionamento e aqui apetece um dos grande acertos do filme, que não subestima o público e, sendo assim, não sente necessidade de explicar nada, mas apresenta o que interessa para a narrativa de maneira orgânica. 

Essa “sociedade” underground possui níveis burocráticos e de funcionamento, se mostrando ainda mais elaborados do que pensávamos e, assim, John Wick é quase que imediatamente banido e uma recompensa altíssima é colocada por sua cabeça, desencadeando uma serie de perseguições e batalhas épicas. 

Agora o assassino busca sobreviver e fará tudo que puder para atingir seu objetivo. Mais uma vez a ideia é trivial, trazendo de volta um tipo de ação que não precisa de roteiros mirabolantes e justificativas elaboradas para acontecer. Uma premissa simples que tem a ação como personagem principal, o que não quer dizer em hipótese alguma que o filme não tem história ou que o roteiro é ruim, pelo contrário, é tudo extremamente bem feito e até extremamente elaborado dentro da proposta.

Aqui talvez seja onde o filme mais se destaca porque, sendo a ação o centro da historia ela é desenvolvida de uma maneira muito diferente, rica e detalhada, com respeito ao espectador.

Quem escuta o nosso podcast já nos ouviu falar sobre filmes de ação asiáticos e sobre como existe nesse cinema uma maneira muito mais fluida e crível de filmar a ação, com planos longos em que você vê a luta acontecer, vê os golpes sendo dados e, apesar de muitas vezes parecerem mais lentos, por estarmos acostumados ao ritmo estadunidense de fazer cinema, são muito mais intensos e chocantes por seu teor realista.

John Wick pega esses dois universos da cinematografia de ação e as combina de maneira perfeita. O filme pega o ritmo acelerado dos blockbusters de ação e acrescenta à ele o que faltava em veracidade, com planos contínuos em que vemos tudo acontecer, de golpes aferidos à facas atravessando corpos, tudo ali explícito sem cortes e é, simplesmente, estarrecedor. E esse terceiro episódio faz isso de maneira ainda mais intensa, com cenas filmadas lindamente, como um filme de arte com extrema preocupação com a fotografia, em que as lutas são quase danças, balés coreografados à perfeição. 

Para além das coreografias, o filmes também se destaca pela quantidade de variedades acrescentadas ao leque de instrumentos mortais utilizados em suas lutas, demonstrando uma infinidade de possibilidades para o gênero, que se viciou em armas e eventuais lutas corporais. Aqui vemos facas, espadas, animais, artes marciais, veículos, são tantas possibilidades apresentadas em John Wick 3, que fica difícil pensar em como seria possível inovar depois desse filme. 

Cada situação apresentada, por mais que cause eventuais risadas, pela improbabilidade da situação é tratada com seriedade pelo diretor e pela equipe e sempre, rapidamente, o riso é substituído por um estarrecimento, muitas vezes celebrado, tamanho o feito alcançado.

O nível de violência é muito maior, mas também o nível de cuidado com os detalhes, que garantem credibilidade a experiência, em coisas simples, como munições que acabam ou a necessidade de atirar de perto no pescoço dos inimigos, considerando que eles estão de armadura. 

Para além das maravilhosas cenas de ação, o filme tem um humor muito peculiar, que funciona por estar diretamente ligado às personalidades dos personagens. O elenco de apoio que conta com o retorno de Ian McShane, Laurence Fishburn e Lance Reddick também é um ponto importantes na trama, já que apesar de ser um filme focado na ação e de termos muitos personagens dispensáveis, percebes-se um cuidado com os personagens principais que são relevantes e tem personalidades definidas e uma noção de história e camadas. 

A presença de outros personagens como Halle Berry e seus cachorros, Mark Dacascos, Anjelica Huston e Asia Kate Dillon além de acrescentar dinamismo a história também acrescentam um pouco de profundidade ao fornecerem informações sobre o passado de John Wick, enriquecendo a mitologia de origem do personagem. 

Keanu Reeves mais uma vez incorpora o espírito do personagem, que parece ter sido feito sob medida para ele, num desses casos em que é difícil desassociar os dois. Ele está tão a vontade e intenso fazendo as cenas de ação, que é fácil esquecer que ele não é o assassino de habilidades inacreditáveis e já há quem diga que Keanu Reeves é o Chuck Norris da nova geração. 

O filme é um delicioso festival de surpresas, nos fazendo contorcer, rir, vibrar e vale cada bala, cada soco desferido, cada segundo na sala de cinema, apreciando esse balé marcial incrivelmente construído e filmado pelo diretor Chad Stahelski

Patricia Costa

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