John Wick 3: Parabellum (spoilers)

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2019. John Wick Chapter 3: Parabellum. De Chad Stahelski. Com Keanu Reeves, Halle Berry, Laurence Fishburne, Ian McShane, Lance Reddick, Mark Dacascos e Anjelica Huston.

Lançado em 2014, John Wick – De Volta ao Jogo pareceu em um primeiro momento, apenas mais um filme de vingança estrelado por um astro de Hollywood. Passou totalmente desapercebido por muita gente. Mas com as boas críticas e o boca a boca, acabei dando uma chance para a produção e confesso que fui surpreendido.

Com uma trama muito simples e até meio curiosa, o filme tem seu diferencial nas propostas das cenas de ação. Com um bela fotografia e com planos abertos e mais longos, que destacam mais as lutas bem coreografadas que a montagem insana e veloz que tomou conta dos filmes de ação na última década, o filme dirigido pelos ex-dublê e supervisor de artes marciais Chad Stahelski foi um respiro para o gênero.

Ganhou uma continuação em 2017, que trazia os mesmo elementos do longa anterior em uma trama que serviu para criar e expandir uma mitologia por trás da situação dos assassinos ao redor do mundo. Eis que chega aos cinemas John Wick 3: Parabellum, agora como uma franquia consolidada e como um dos filmes mais esperados do ano. A violenta jornada de vingança e morte de Wick ganha escala global, aumenta ainda mais a mitologia dos assassinos e engrandece o protagonista ao explorar personagens de seu passado.

Começando do mesmo ponto onde termina o filme anterior, a cabeça de Wick está a prêmio e todos estão atrás dele,  se antes era vingança, virou um filme de sobrevivência. O personagem sai a procura de antigos aliados, dispostos a ajudá-lo quando todos lhe viraram as costas. Aos fãs da série, todos os elementos marcantes da franquia estão presente, nesse sentido o filme não decepciona.        

 Sua primeira visita é a diretora (Anjelica Huston), esse é um momento importante, pois é onde descobrimos um pouco do passado de Wick. Nada muito explicado, os realizadores respeitam a inteligência do espectador, o filme não precisa se explicar, são cenas que sugerem trechos do treinamento que teria tornado Wick um assassino tão eficiente. É um artifício mais dinâmico, inserir vários flashbacks certamente afetaria a sensação de urgência que todo o longa têm.     

 A verdade é que em toda série, o roteiro sempre foi um “mero detalhe”. Funciona como um motivador para novas e radicais cenas de ação, que são o ponto forte dos filmes. São simples e diretos, permitindo a história se desenvolver em violência.

O roteiro vai dando pequenas informações que forçam o personagem a seguir para um novo desafio na busca de sair da situação em que se encontra, mas como toda continuação, tudo em maior escala. John Wick então vai para a Ásia, a procura do líder responsável pelas origens de toda a engrenagem com a qual fomos apresentados desde o longa anterior.

É quando somos apresentados a personagem mais interessante desde que a jornada de Wick teve início. Sofia (Halle Berry), em um primeiro momento, é praticamente a versão feminina de John Wick. Logo de cara fica claro que os dois tem um passado em comum e que Wick pisou na bola. Mas o roteiro acerta ao não torná-la exatamente uma cópia, dando a personagem identidade própria (apesar do dois compartilharem características bem parecidas) e a personagem ganha carisma na interpretação de Berry. As sequências de ação com os cachorros de Sofia, são marcantes, um dos pontos altos da produção.

A sequência do deserto é a parte mais fraca do longa. Não acrescenta muita coisa, o personagem do líder não impressiona, apesar desse trecho trazer uma reviravolta importante para o restante do roteiro.

A franquia tem uma clara influência dos games, que se torna mais evidente nesse terceiro capítulo. A correria contra o tempo e ação incessantes, a procura de personagens e pistas que o levam ao desafio seguinte e a inevitável e cada vez mais absurda resistência de Wick a tudo que surge na sua frente, criam essa conexão que soa familiar aos amantes de jogos eletrônicos.

 A fotografia do dinamarquês Dan Laustsen (indicado ao Oscar por A Forma da Água), cria cenas belíssimas em meio a toda pancadaria. Existe todo um jogo de luzes, sombras e reflexos, que enriquece esteticamente o filme.  Dos três filmes da série, esse certamente é o mais eclético no que consiste a diversidade das lutas. Tem luta com facas, perseguição de moto, perseguição de cavalo, ninjas, tiroteio com cachorros no meio e até uma luta com livros, as cenas são empolgantes e mantém o nível dos anteriores.

A ideia de Wick trair o pacto que fez com o ancião e se unir a Winston (Ian McShane) é até meio óbvia e o desfecho do Hotel Continental é bem intenso. As cenas de ação empolgam e o aspecto de game que mencionei acima, se escancara de vez. São vários desafios para Wick, chegando ao ponto de realmente haver uma luta com uma dupla de sub-chefes, espécie de discípulos do “ninja” Zero (Mark Dacascos). Esse antagonista traz um humor muito carregado, que funciona bem no começo, mas termina caindo no exagero.

Reservando ainda duas reviravoltas finais, o filme me surpreendeu por estender ainda mais sua trama. O acerto de Winston com a representante da ordem não faz muito sentido. Eles medem forças e após Winston admitir seus excessos, tudo volta ao normal. Um confronto de meia hora que poderia ser resolvido com uma boa conversa. É uma ideia fraca, que serve apenas para elevar Winston ao papel de antagonista.

A outra reviravolta é a descoberta de uma espécie de grupo de assassinos renegados, que pretende derrubar todo aquele sistema, pondo fim a ordem dos assassinos. O gancho perfeito para o quarto filme desta franquia, que perigosamente começa e ficar muito extensa. Simplicidade tem limite.

John Wick 3: Parabellum não é o desfecho que muitos esperavam, mas é um novo passo na expansão da mitologia da franquia e abre novas possibilidades. Todos os elementos que fizeram o sucesso da série estão presentes e vão agradar aos fãs ou a quem procura um belo filme de ação. A jornada de John Wick continua, intensa e cada vez mais violenta.

Felipe Fernandes

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