Toy Story 4

2019. Idem. De Josh Cooley. Com as vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Annie Potts, Joan Cusack, Christina Hendricks e Keanu Reeves

Lançado em 1995, “Toy Story” foi um tremendo sucesso de público e crítica, uma animação cativante, com uma temática capaz de tocar e entreter  pais e filhos, com um nível de animação e detalhamento nunca antes vistos. Marcou toda uma geração e já dá pra carimbar, se tornou um clássico do cinema. Foi também o filme que lançou a Pixar, um estúdio de animação que erra muito pouco e que desde então brinda o público com grandes filmes, ricos em diversos aspectos e temáticas.

Apesar da quantidade de filmes já lançados, alguns deles até superiores a Toy Story, o carro chefe da empresa sempre foi a franquia dos brinquedos, que ganhou duas continuações, uma em 1999 e outra mais de 10 anos depois, mantendo um alto nível e criando uma trilogia praticamente perfeita, com um final emocionante e extremamente satisfatório.

Quando foi anunciado que haveria mais um filme da franquia, a maioria torceu o nariz. Após um desfecho tão intenso e bem amarrado em termos narrativos, não fazia sentido seguir acompanhando a história de Woody e sua turma, mas a Pixar mostra mais uma vez que não há limites para o estúdio, que entrega mais um capítulo impressionante da franquia e mostra que com paixão, cuidado e liberdade criativa, é possível criar continuações de qualidade.

Após os eventos do terceiro longa, descobrimos que Woody perdeu seu lugar de destaque nas brincadeiras de sua nova dona Bonnie. Eis que a menina vai para um dia de adaptação no maternal e Woody se esconde na mochila da menina com a intenção de ajudá-la neste momento de transição.

Com a ajuda do cowboy, ela acaba criando um bonequinho com um garfo e restos de material que estava no lixo. Esse estranho boneco ganha vida, se torna o preferido de Bonnie e Woody entende que precisa protegê-lo, pois  “garfinho” é uma peça fundamental nessa etapa de crescimento e mudança na vida de sua dona.

Antes do começo das aulas, a família de Bonnie sai em viagem e o novo propósito de Woody vai levá-lo em uma nova aventura, onde ele vai encontrar amigos do passado e descobrir todo um novo mundo de possibilidades.

O filme trabalha uma dinâmica muito parecida com a do filme de 95. Assim como Buzz Lightyear, Garfinho não entende que é um brinquedo e aqui, ele quer apenas ficar repousando no lixo, que é seu lugar de origem.

Woody precisa ensinar ao estranho boneco de sua função e é curioso como Woody em diversos momentos soa como um pai. Em uma cena em especial, ele tem um diálogo revelador com Buzz, em que isso fica muito evidente.

Woody sempre foi o protagonista da franquia, mesmo com destaque para outros brinquedos, sempre foi ele quem moveu a história, mas neste quarto capítulo, essa característica é ainda mais evidente. O arco dramático do cowboy, as lições que ele aprende, são muito mais intensas e transformadoras que nos filmes anteriores.

É impressionante como acompanhamos o crescimento e amadurecimento do personagem, durante todos esses anos. O público infantil que cresceu com o primeiro filme, entende o personagem e seus dilemas parecem ter crescido com seu público, passados 24 anos do longa original, é possível se identificar com a condição do Woody de hoje, como se ele houvesse crescido durante esse tempo. Isso é brilhante.

A ação se passa praticamente entre um antiquário e um parque de diversões, uma decisão acertada, que limita geograficamente a trama, permitindo uma melhor compreensão, ao mesmo tempo que permite duas estéticas conflitantes, que dialogam diretamente com os temas do filme.

Os diálogos também são certeiros, revelando informações e fechando dilemas com uma qualidade ímpar. mostrando o cuidado dos realizadores com o material, não é por acaso que os filmes tenham um espaço de lançamento tão grande entre eles.

A pastora Betty, personagem sempre coadjuvante, não só retorna após notada ausência (justificada aqui) no filme anterior, como é um dos destaques do longa. Sua personagem é outra que sofre drásticas mudanças, mas todas muito bem trabalhadas, trazendo até mesmo o empoderamento feminino para o mundo dos brinquedos, mas tudo dentro do contexto e funcionando perfeitamente dentro da história, tornando o filme ainda mais atual e relevante.

Falar da qualidade das animações da crítica é constatar o óbvio, mas o nível de detalhamento encontrado aqui é impressionante. A cena inicial é de uma beleza nunca antes vista em nenhuma animação. O reflexo das luzes nos bonecos, a chuva e o nível de interação dela com os personagens são de um grau de realismo absurdo.

As diferentes texturas dos bonecos, a movimentação particular de cada um, devido a suas características físicas, são detalhes que enriquecem a experiência e fazem deste filme muito superior aos anteriores nesse aspecto.

Tratando de temas como amadurecimento, aceitação, transformação e recomeços, o novo Toy Story traz temas adultos para uma aventura colorida e divertida. Esses elementos são a chave do sucesso não só da franquia, mas como da Pixar como um todo. Se identificar com um boneco, personagem de um filme supostamente infantil, é o tipo de experiência que só o cinema é capaz de proporcionar.

O filme conta com um desfecho muito satisfatório, fechando a série com perfeição. Não acho necessário um quinto filme, mas não vou me surpreender se daqui a mais ou menos 10 anos eu estiver em uma sala de cinema me emocionando e me divertindo com esses mesmos personagens.

Felipe Fernandes

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