2019. Point Blank. De Joe Lynch. Com Frank Grillo, Anthony Mackie, Marcia Gay Harden, Christian Cooke, Teyonah Parris, Markice Moore e Boris McGiver.

À Queima Roupa é um longa que soa datado desde o seu título, com pinta de filme de ação dos anos 80. Essa primeira impressão é justificada em diversos momentos do filme, passando pela trilha sonora com estilo de playlist, passando por alguns momentos irregulares que transmitem essa sensação, muito comum nos incontáveis filmes produzidos na época.

Remake de um filme francês de 2010, que já ganhou outras versões ao redor do globo. Na trama acompanhamos Paul (Anthony Mackie), um enfermeiro que está com a esposa prestes a dar a luz e sem querer acaba se envolvendo em uma trama com assassinos de aluguel, mafiosos e corrupção policial para salvar sua esposa que foi sequestrada por um dos irmãos.

O filme é bem curto e tem um ritmo intenso, abrindo com uma cena de perseguição, com uma trilha empolgante que termina abruptamente, tendo o corte da música buscando provocar um efeito de humor. Essa cena de abertura já traz muito dos elementos que vamos acompanhar durante toda a projeção.  Criando uma única cena de desenvolvimento do protagonista com sua esposa, Paul logo acaba envolvido na situação, tornando o filme uma correria desenfreada.

É o clássico filme de situação, que se resolve durante o conflito, tendo diversas reviravoltas, todas muito previsíveis. Aos poucos o protagonista vai de certa forma se afeiçoando ao anti-herói, formando uma dupla que vai se aproximando com o decorrer dos acontecimentos. São vários clichês de filmes de ação reunidos em um longa que não tem nada de novo para acrescentar em uma fórmula tão repetida.

O roteiro de Adam G. Simon não permite que tenhamos qualquer conexão com nenhum personagem, o espectador acaba se afeiçoando a rosto de atores conhecidos de algumas séries e a morte rápida e crua de pelo menos dois deles surpreende, mesmo que elas sejam envoltas em reviravoltas capengas.

A trilha sonora é uma bagunça a parte. A trilha emula músicas do final da década de 70 e da década seguinte, mas  surge sempre desconexa, não combinando com o que acontece em cena, causando um estranhamento não proposital. Se a idéia era dar um certo charme ao filme, não funcionou. Acabou com cara de playlist oitentista.

A força do filme reside mesmo no carisma de Mackie, que parece se interessar nesse tipo de personagem mais comum. O ator é o único que consegue de destacar em meio ao caos de ações, referências e reviravoltas. Nem mesmo os irmãos que acabam envolvendo Paul na situação são bem construídos narrativamente. As cenas que tentam aproximar um deles com a esposa grávida, buscando humanizar o personagem são dissonantes com o personagem e o restante da narrativa.

À Queima Roupa é um filme extremamente irregular, que se beneficia de sua curta duração. Passaria totalmente desapercebido se não fosse o serviço de streaming e a presença de Anthony Mackie. Filme pra passar na TV aberta, na madrugada de domingo e no dia seguinte não ter nem lembrança do que foi assistido.

Felipe Fernandes

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