2019. Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw. De David Leitch. Com Dwayne Johnson, Jason Statham, Idris Elba, Vanessa Kirby, Elza González, Cliff Curtis, Eddie Marsan e Helen Mirren.

A bem sucedida franquia Velozes e Furiosos, é a algum tempo, o melhor exemplo dos excessos de Hollywood. Uma franquia que teve seu primeiro filme lançado em 2001 e tratava de uma gangue que promovia rachas e praticava roubos envolvendo carros. Com o sucesso cresceu em todos os sentidos e nos últimos filmes da franquia já excedeu o absurdo e ganhou escala global em tramas cada vez mais fracas, exageradas e desprovidas de muito sentido.

Velozes e Furiosos: Hobbs e Shaw é um filme derivado da franquia que já conta com oito filmes e vem começando a mostrar sinais de desgaste. A solução encontrada foi puxar por um novo caminho, apostando no carisma da dupla de protagonistas, mas no fundo traz os mesmos excessos, um humor auto consciente mais forçado que traz situações cada vez mais absurdas e cada vez menos pautada nos carros, o veloz já nem precisava fazer parte do título.

Na trama, Hobbs e Shaw precisam proteger Hattie (irmã de Shaw) que se infectou com um vírus para roubá-lo de uma seita tecnológica secreta (essa é a explicação que o filme apresenta), que precisa dele para causar uma revolução mundial, onde os humanos vão evoluir através das máquinas.

O roteiro não faz muito sentido e dizer que não é isso o que se espera de uma franquia como essa, é judiar da inteligência do espectador. O roteiro de Chris Morgan (presente na franquia desde o quinto filme) e Drew Pearce jogam algumas idéias com o único intuito de justificar novas cenas de ação.

O longa já abre com uma cena de assalto, onde personagens fazem movimentos impossíveis, param balas com as mãos e como se isso ainda não fosse o suficiente, ainda temos o personagem interpretado por Idris Elba literalmente se anunciando como o vilão.

Trabalhando a dinâmica entre os dois personagens através da montagem, mesmo antes deles se encontrarem, o filme busca ressaltar as diferenças entre os dois, seja no estilo de vida, passando pelo modo de agir, mesmo que os resultados sejam os mesmos. O filme ainda se permite trazer coadjuvantes de luxo como Ryan Reynolds e a vencedora do Oscar Hellen Mirren em pequenas cenas (uma para cada personagem) e deixa a promessa de que ambos voltaram com mais destaque para uma eventual continuação.

Um dos elementos da franquia original que retorna aqui é a questão familiar, que está diretamente ligada ao personagem Shaw, afinal é a irmã dele a portadora do vírus, mas permite no irregular terceiro ato em que esse elemento chegue a Hobbs , no uso do clichê do retorno ao lar e as origens para enfrentar uma adversário que você não pode vencer.

O humor auto consciência dos absurdos que acontecem e a forma bem humorada de lidar com tudo isso, são uma marca da série que permanece nesse spin-off, mas aqui o filme força o humor nas diferenças entre os protagonistas e a má relação entre eles, como fonte para diversos tipos de piadas que apesar de dois bons momentos, cansam já na metade da produção.

O auto intitulado vilão também não ajuda. Criando uma desnecessária  ligação passada entre Brixton e Shaw, buscando criar uma carga dramática que nunca se justifica, o personagem faz parte de um processo em que ele é dependente da seita e se tornou uma espécie de exterminador (que não veio do futuro), justificando o vilão protagonizar cenas absurdas e ser páreo para a dupla de protagonistas.

Confesso ter ficado surpreso com a chegada dos créditos e descobrir que o filme é dirigido por David Leitch. Responsável pelo primeiro John Wick (co-dirigiu o filme) e pelo surpreendente Atômica, o ex-dublê se mostrou um grande diretor para cenas de ação intensas e complexas, porém aqui (assim como em seu trabalho anterior, Deadpool 2) Leitch faz um trabalho burocrático que em nada lembra seus primeiros filmes como diretor.

Abusando dos efeitos digitais, o longa não têm uma sequencia de ação marcante. São cenas que nunca passam uma real sensação de risco para os personagens, eles simplesmente são indestrutíveis.

No elenco, Dwayne “The Rock” Johnson e Jason Statham interpretam os mesmos personagens de sempre e o fazem muito bem. Os dois são carismáticos e o que realmente funciona no filme é muito do trabalho dos dois.

Vanessa Kirby se mostra uma interessante adição ao interpretar uma personagem que não fica muito atrás dos homens, uma pena que no terceiro ato sua personagem basicamente se torne a donzela em perigo, prejudicando o que havia sido construído até ali.

Fechando o elenco, Idris Elba não consegue fazer muito com um personagem muito limitado, que basicamente está ali para bater de frente com os protagonistas. Com discursos bizarros buscando explicar os objetivos da seita, o roteiro até força um background que não acrescenta nada ao personagem.

Velozes e furiosos: Hobbs e Shaw  entrega o que promete, mas sendo um derivado, o longa poderia acrescentar novos elementos, criando novas possibilidades e trazendo algum frescor, mas isso não acontece, até os temas centrais são os mesmos. Deve agradar quem já curte a série principal ou só quer ir ao cinema para assistir um filme descompromissado, pra quem já cansou ou não curte, é mais do mesmo.

Felipe Fernandes

Curta nossa página no Facebook, Youtube, Twitter e Instagram e participe! Deixe sua opinião sobre o filme neste post ou nos mande um e-mail dizendo se concorda ou discorda da gente, deixando sua sugestão ou crítica: contato@ratosdecinema.com.

catarse LOGO
Patreon_LOGO
Anúncios