2019. Scary Stories to Tell in the Dark. De André Ovrdal. Zoe Margaret Colletti, Austin Abrams, Natalie Ganzhorn, Gabriel Rush, Michael Garza, Gill Bellows e Dean Norris.

Guillermo Del Toro sempre foi fissurado em filmes de terror (isso é óbvio em sua filmografia), dando muito ênfase em monstros fantásticos e na maioria das vezes levantando questões que assolam o mundo em que vivemos. Partindo desse principio, bancou produzir a obra do escritor já falecido Alvin Schwartz que envereda por uma serie de contos de terror em Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (isso mesmo, nome sugestivo e um tanto longo para um filme) mas que remete a nossa infância – pelo menos para mim.

Aqui, como em muitos filmes recentes como It, Goosebumps, Stranger Things, somos apresentados a um grupo de amigos que sofre com perseguições, bullying, aceitação na sociedade, problemas familiares, primeiro amor, tudo isso se passando na década de 60, ou seja, nada diferente dos dias atuais.

Na noite de Halloween, o grupo parte para desbravar uma mansão dita mal assombrada, onde uma família aprisionou por anos uma garota no sótão e que, reza a lenda, a menina escreveu um livro com seu próprio sangue. Obviamente que o tal livro é levado para casa pela nossa protagonista e historias novas vão sendo contadas em tempo real onde o grupinho de amigos passa a ser parte central dos contos.

A direção fica a cargo do norueguês André Ovredal, de A Autopsia. Aqui ele pega vários elementos que fizeram a carreira de Del Toro, para nos mostras diferentes historias de terror com um espantalho, um homem torto sem dedo, uma criatura que se despedaça, uma espinha que se transforma em aranhas, uma personagem estranha meio desengonçada que come seres humanos, e é claro a menina do livro, tudo isso usando e abusando efeitos práticos, o que dá mais veracidade à trama.

Isso é, na verdade, o grande problema e o que ele tem de melhor. O filme tecnicamente é muito bem montado, nota-se uma progressão do elemento terror na trama porém as histórias não colocam medo em ninguém. Na verdade são bobinhas e até um tanto infantis, coisa que talvez nos assustasse quando éramos bem jovens. Isso pode tirar você um pouco do filme, já que nenhuma historia realmente vai te fisgar.

As atuações estão bem convincentes destaque para o ator Michael Garza que interpreta o melhor personagem, Ramón. O filme ainda tem em sua segunda camada um pouco de critica ao racismo, questões sócias, imigratórias e ainda tem tempo para as mensagens anti-guerra no Vietnã e contrárias à candidatura de Nixon.

Historias Assustadoras… não convence em seu cerne principal, caindo nos clichês básicos do gênero, e no fim, se mostra mais um filme que estamos acostumados a ver praticamente toda semana no cinema. Del Toro até tentou, mas ele não faz milagres.

Marcelo Perelo

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