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Crítica

Brinquedo Assassino

2019. Child’s play. De Lars Klevberg. Com Aubrey Plaza, Gabriel Bateman, Brian Tyree Henry e a voz de Mark Hamill. 

Lançado no final da década de oitenta, Brinquedo Assassino é fruto de sua época. Um filme que traz características muito marcantes dos filmes de terror realizados naquela época e que ecoaram bastante em intermináveis continuações na década seguinte. O boneco Chucky, misturando sua psicopatia com humor negro e claro com o absurdo de toda a situação, se tornou parte da cultura pop e é lembrado, mesmo que seus filmes não tenham sido sucesso de público.

Passados 31 anos de sua primeira aparição e apenas dois de seu último filme, o boneco mais violento do cinema está de volta em mais um remake, que assim como o original, é fruto de sua época e faz atualizações que trazem profundas mudanças na origem do personagem e consequentemente traz novos elementos não só a história, mas como ao personagem, permitindo novas possibilidades. Sai a magia negra e entra a inteligência artificial.

Na trama, Karen (Aubrey Plaza) é uma mãe solteira que tenta recomeçar a vida com seu filho adolescente Andy (Gabriel Bateman). Passando pro problemas financeiros, ela trabalha em uma grande loja de departamento e consegue de presente no aniversário do filho um boneco que era o desejo das crianças e aparentemente foi devolvido por estar com alguns problemas. A partir daí, o boneco se torna o grande amigo do solitário Andy que aos poucos vai descobrindo a verdadeira natureza do brinquedo.

A situação da família é basicamente a mesma, a origem do boneco é que é drasticamente alterada e a atualização traz um frescor para o filme, pois diferente do original, em que o boneco já tinha uma personalidade formada, aqui Chucky começa quase que como uma criança, que aos poucos vai aprendendo (de uma forma bastante distorcida e particular) as questões do mundo, permitindo um desenvolvimento do personagem, onde acompanhamos e tememos suas intenções antes mesmo delas acontecerem.

Andy agora é um adolescente, o que permite uma interação maior do boneco com a criança, os conflitos naturais da idade do menino e a situação com o namorado da mãe, agem como catalisador para as atitudes do boneco que tem em sua programação a necessidade de proteger e alegrar seu dono. Porém esse boneco tem seus filtros excluídos, o que o permite atitudes violentas e extremas para cumprir sua programação.

Tirando o núcleo central, todos os personagens coadjuvantes são bastante caricatos, praticamente todos os homens da obra são sujeitos arrogantes e repulsivos e suas mortes são quase desejadas pela audiência. O núcleo adolescente funciona melhor, ao menos são personagens mais carismáticos com um pouco mais de cenas.

O filme traz ainda uma grande corporação, cheia de aparelhos e aplicativos, que basicamente estão presentes em todos os lugares e o boneco da linha em que Chucky faz parte funciona como um mediador desses aparelhos,  dando ao personagem armas mais poderosas e acessos a aparelhos que são utilizados como novas possibilidades de armas.

O humor negro sempre foi uma marca da franquia e aqui não é diferente, dublado por Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker), o humor do personagem vêm da mistura de uma aparente inocência (é uma personalidade em formação) com um nível alto de violência e logicamente da situação absurda de um boneco de meio metro causando tantos estragos.

O humor do filme funciona, o diretor norueguês Lars Klevberg mostra um bom timing cômico, conseguindo costurar piadas e cenas violentas sem deixar que um elemento prejudique o outro.

Uma surpresa agradável é constatar o grau de violência apresentado; as cenas com mortes (que até não são muitas para esse tipo de filme) são bastante gráficas, com sangue jorrando pra todo lado e mesmo que não sejam muito originais, trazem um grau de sadismo interessante para o personagem.

Em tempos em que filmes violentos em sua essência, andam cada vez mais amenos na busca de público, o novo Brinquedo Assassino se mostra um projeto corajoso no grau de violência e nas mudanças, que além de atualizarem a história e o personagem, trazem uma série de novas possibilidades.  É um filme despretensioso, puro escapismo com o mínimo de personalidade, que funciona por ter realizadores que entendem isso e entregam um produto na medida certa.

Felipe Fernandes

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