Rambo: Até o fim

2019. Rambo: Last Blood. De Adrian Grunberg. Com Sylvester Stallone, Paz Vega, Yvette Monreal, Sergio Peris-Mencheta, Óscar Jaenada, Sheila Shah, Jessica Madsen e Adriana Barraza.

Lançado em 1982, Rambo: Programado para Matar foi a estreia de um dos personagens mais icônicos do cinema de ação oitentista. Esse primeiro capítulo é um filme de situação, onde após uma briga até meio boba sair do controle, o personagem título é caçado pela força policial e aos poucos vamos descobrindo sobre o personagem, seu passado e suas habilidades.

Ao trazer de forma muito direta os conflitos e traumas dos combatentes que voltaram do Vietnã, uma guerra que os Estados Unidos perdeu e deixaram marcas profundas na sociedade do país, o filme vai além da ação e ganha em profundidade e relevância.

Passados 37 anos, John Rambo (Stallone) está de volta aos cinemas, Rambo: Até o Fim não só promete encerrar a história do personagem, como remete em seu título original ao primeiro filme da franquia.

Na trama, Rambo está de volta ao seu país, onde agora vive isolado em um rancho, onde cria cavalos afastado do mundo. Quando sua sobrinha desaparece, ele precisa confrontar seu passado e parte em busca de justiça contra um perigoso cartel de prostituição.

Escrito pelo próprio Stallone junto a dois parceiros, o primeiro ato do filme é eficiente em estabelecer a atual situação do personagem que parece finalmente ter encontrado um pouco de paz, mesmo que ainda viva em uma infinita preparação, parecendo antever a violência que de alguma forma vai voltar até ele.

Vivendo junto a uma senhora hispânica e sua neta, que ele ajudou a criar, o design de produção cria túneis subterrâneos onde o protagonista passa a maior parte do tempo e nas paredes existem alguns desenhos infantis coloridos que não só criam um contraste interessante, como também são simples e objetivos em expressar a quantidade de tempo que Rambo e a jovem Gabrielle passaram juntos naqueles túneis.

O roteiro aposta numa carga dramática (um elemento novo dentro da franquia), essa construção de laços familiares, busca fortalecer as motivações e justificar a violência dos atos seguintes.

O grande problema do filme começa com a história paralela, que vai desenvolver o fiapo de trama. Todos os atores coadjuvantes são limitados e por alguns vários minutos, a trama abandona seu protagonista para desenvolver a história de Gabrielle (Yvette Monreal) e o filme perde consideravelmente em qualidade.

O núcleo mexicano é formado por clichês (não dá nem pra chamar de personagem), é fácil estabelecer a situação. A única personagem do lado sul da fronteira com algum desenvolvimento digno de nota é a repórter Carmen Delgado (Paz Vega) que surge repentinamente com um único propósito e depois é abandonada pelo roteiro da mesma forma que surgiu, um desperdício de personagem em um roteiro que já não tem muitos com que trabalhar.

A história como um todo é bem previsível, o filme tem estilo dos incontáveis filmes de vingança e justiça que saem aos montes desde a década de 80, mas aqui o filme ganha força pelo personagem e principalmente por Stallone.

A idade traz um peso ainda maior ao personagem. Aquele peso que ele carrega desde o primeiro filme parece ainda mais presente no rosto marcado e na expressão pesada do personagem. Stallone tem um carisma forte, engrandece o filme sempre que está em tela. Sua presença e a nostalgia, são os únicos elementos que diferem esse filme de tantos outros.

Adrian Grunberg, um experiente assistente de direção, que tem aqui seu seu segundo trabalho como diretor principal, dirige o filme sem muito brilho. Apesar de extremamente violento (provavelmente o mais pesado da franquia nesse sentido), o filme conta até com poucas sequências de ação, bem pouco para esse estilo de filme e o diretor não se destaca nem nas cenas dramáticas, nem na ação.

O roteiro têm uma estrutura que devidas diferenças, lembra um pouco da série Rocky, no formato derrota, treinamento, preparação e vitória. O terceiro ato é uma explosão de violência, os exageros do filme se concentram todos nos minutos finais e descambam pra uma longa sequência banhada em sangue que sofre com problemas de ritmo, continuidade e até de verossimilhança.

Partindo para um desfecho sangrento, a intitulada última missão de Rambo não faz jus ao personagem. Não que alguém queira outro longa com o boina verde, mas se essa for de fato a última vez que veremos John Rambo nas telas, o personagem carece de um desfecho mais satisfatório.

Felipe Fernandes

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