Predadores Assassinos

2019. Crawl. De Alexandre Aja. Com Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, Ami Metcalf, George Somner, Ross Anderson e Colin McFarlane.

Quem nunca fez escolhas ruins, que dê o primeiro mergulho numa enchente cheia de crocodilos ou dirija para o olho de um furacão, como se nada estivesse acontecendo.

Desde a sequência de abertura os elementos estão todos ali com o “Gators”, abreviação de jacaré, estampados nas tocas do time de natação e na parede do ginásio, na frustração da protagonista por não nadar rápido o suficiente para fazer o melhor tempo, no rápido diálogo com a irmã, que apresenta os problemas familiares e justifica tudo que vem a seguir, no anúncio do furacão que se aproxima, nas placas e avisos de jacarés por toda a parte.

Sabemos desde o primeiro momento para onde o filme vai nos levar, mas a verdade é que, dificilmente você vai entrar no cinema para assistir um filme que se chama Predadores Assassinos e que tem um jacaré gigante no cartaz, sem ter ideia do que vem pela frente. Mas apesar de o fator novidade ou inovação não ser a premissa do filme, ele pode sim te pegar de surpresa.

Como toda a boa protagonista do gênero, Hailey, vivida por Kaya Scodelario (Maze Runner), faz as piores escolhas possíveis, o que descobrimos depois, parece ser genético, considerando os momentos em que o pai dela, Barry Pepper (Monster Truck, Maze Runner), influencia nas decisões a serem tomadas e estas são todas igualmente péssimas ou até piores.

Você sabe que está esperando jacarés gigantes para o susto começar, mas o filme explora muito bem o medo em todos os cenários em que está inserido. Estar preso no meio de um furacão é, por si só, um contexto repleto de possibilidades aterrorizantes, assim como um porão sujo e abandonado.

Apesar de passarmos o filme praticamente todo criticando mentalmente os protagonistas por suas escolhas estúpidas, isso se dá, não por nos importarmos muito com eles, mas pela excelente construção dos momentos de tensão e sensação de perigo iminente. A direção de Alexandre Aja, combinada com uma bela montagem, produz um efeito extremamente eficiente e são tantas as possibilidades de as coisas darem errado, de toda a parte, que o resultado é praticamente 70 minutos de aflição agarrados à poltrona, fechando os olhos e passando nervoso.

Não falta gore. Muito sangue, membros mutilados, ossos e mortes. Fica claro, desde muito cedo, que os perigos para os protagonistas são reais e nada está definido, o que aumenta a angústia. É um filme repleto de jump scares sensacionais e que não dissipam a tensão, pois, após susto, o filme emenda em cenas de ação ou situações extremamente gráficas que, por vezes, até aumentam a sensação de desconforto.

Apesar dos problemas presentes na produção, há um cuidado presente nos detalhes, que vão desde o comportamento dos jacarés à direção de arte que constrói espaços eficientemente claustrofóbicos com um design de som que também ajuda a construir um ambiente difícil de relaxar.

Então, esquecemos que Hailey fica em pé num espaço onde anteriormente ela só podia engatinhar; ignoramos a força e resistência de algumas ferramentas e objetos da casa, com os quais ficaremos intrigados ao ponto de querê-los na nossa própria casa; fingimos que não vimos a capacidade que eles tem de fazer as piores escolhas; fechamos os olhos para o labirinto que parece inesgotável de situações que dão errado, das quais até Murphy duvidaria eventualmente e para o CGI que as vezes é menos que perfeito.

Recusamos os possíveis furos, que vamos sair do cinema tentando justificar como instinto de sobrevivência e a adrenalina do momento, para simplesmente curtir uma produção que entrega exatamente tudo que promete de forma eficiente. Um filme de sobrevivência em situações inusitadas, simples, mas bem feito e tenso do início ao fim no qual, até o último segundo, você não tem certeza de nada.

Jacarés em uma tempestade? Diversão garantida!

Patricia Costa

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