Fratura

2019. Fractured. De Brad Anderson. Com Sam Worthington, Lily Rabe, Adjoa Andoh, Stephanie Sy e Stephen Tobolowsky.

NOTA_1,5 Cheese

Um dos tipos de suspense mais trabalhados, são os que trazem personagens psicologicamente desequilibrados, essa falta de percepção é um prato cheio para que o cinema trabalhe essa desorientação com o espectador. Estes são os principais elementos da nova produção original da Netflix. Fratura trabalha o senso de real e imaginário para trilhar uma narrativa convencional que prende mais pelas expectativas do que pelo desenrolar da trama ou das respostas que entrega.

Na trama, Ray (Sam Worthington) está viajando com sua família no feriado de Ação de Graças e após uma parada, ele e sua filha sofrem um acidente em um canteiro de obras. Ao levar a filha a um hospital, no meio da estrada, ela e a esposa desaparecem e não existem registros de que elas estiveram ali. Agora, Rey precisa descobrir o que aconteceu com sua família, enquanto tenta ser convencido por todos de que sua mulher e filha nunca estiveram no hospital.

Escrito por Alan B. McElroy (escritor experiente, mas que assina filmes desastrosos como a adaptação de Tekken e Spawn), o filme retrata toda uma situação e suas consequências, não saindo do hospital e do local do acidente. É um filme pequeno em trama e em diversos aspectos.

O filme é um thriller psicológico que brinca com a percepção do protagonista e tenta enganar o espectador o tempo todo. Até onde o que acompanhamos é real e até onde tudo faz parte da mente instável de Ray. Desde o princípio, o filme estabelece um passado conturbado em sua relação familiar, aponta que o casamento atual não andava bem e mostra um personagem com um forte senso de culpa.

Esses elementos são trabalhados através de diálogos, que inserem essas informações de forma gradual, mas esse necessidade acaba fazendo com que alguns desses diálogos soem bem estranhos e fica a dúvida se esse efeito é parte de um roteiro problemático ou da bem sucedida desorientação que o filme tenta provocar.

O filme trabalha o protagonista, cria um backstory relevante para o desenvolvimento da trama, mas a história em si é bem pequena. Após todo o acontecimento do hospital, o filme basicamente se torna o personagem tentando ser convencido de quê sua mulher e filha nunca estiveram naquele hospital e isso cansa. As reviravoltas são bem previsíveis e têm pouco impacto sobre o espectador, que acompanha tudo com aquela sensação de que já assistiu aquele filme.

Dirigido por Brad Anderson, um cineasta que parece ter gosto por temas como distúrbios psicológicos provocados por traumas e os efeitos da culpa na psique humana. Seu filme mais famosos “O operário”, traz Christian Bale em uma de suas atuações mais marcantes e traz elementos que dialogam diretamente com esse filme. Mas Anderson não consegue repetir aqui, a direção competente do longa de 2004.

Esteticamente o filme é ordinário, trabalha uma paleta de cores dessaturada, muito comum nesse tipo de filme, tem um ritmo irregular, que nunca consegue causar tensão ou interesse. A trama não colabora com o andamento do filme e seu diretor faz um trabalho equivalente a qualidade do mesmo. Ao menos, Anderson consegue através de planos fechados no rosto de Worthington tornar crível  a desorientação do protagonista.

Outro elemento que certamente prejudica o filme é a escalação de Sam Worthington. Um ator de pouco carisma, que esteve presente em grandes franquias no final da década passada, mas que anda meio sumido e é bem verdade que seus filmes mais bem sucedidos chegaram a esse ponto não por causa dele, mas apesar dele. Avatar talvez seja o melhor exemplo disso.

Esse talvez seja um dos filmes que mais exigiram do ator, o filme roda todo em torno do seu personagem. Worthington convence em sua desorientação, mas nunca nos identificamos com seu personagem, nunca compramos sua causa. Um problema do filme que não pode ser depositado só no trabalho do ator.

Fratura é mais um lançamento original da Netflix que entra no catálogo com a única função de manter a agenda de lançamentos do serviço. Uma plataforma pioneira, que em seu início se notabilizou por suas produções de qualidade, vêm já a alguns anos sendo criticada pela quantidade absurda de lançamentos, tendo em sua imensa maioria produções muito ruins.

Em 2020, chegam novos e fortes concorrentes nesse mercado de streaming, a Netflix precisa se reinventar e rápido, pois uma empresa que mudou o jogo, corre o risco de ficar ultrapassada.

Felipe Fernandes

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