Sombra Lunar

Assine RATOS In The Shadow of the Moon, 2019. De Jim MIckle. Com Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Michael C. Hall, Bokeem Woodbine e Rachel Keller. NOTA_2,5 Cheese

O uso da viagem no tempo é um recurso muito utilizado na ficção científica e permite diversas possibilidades. Não são poucas as produções com esse elemento e geralmente são produções com características parecidas, mas que apostam em um ou outro elemento como diferencial  para uma nova abordagem com o tema.

Sombra Lunar é uma mistura de ficção científica com suspense que mistura diferentes ideias, todas já exploradas em outros filmes, para contar uma história de assassinatos, obsessão e teorias conspiratórias, em uma mistura de eventos em diferentes momentos de uma mesma linha temporal, que se complementam e acabam se influenciando de uma mesma forma.

Locke (Boyd Holbrook) é um aspirante a detetive que investiga um caso em que três pessoas, sem ligação aparente, morrem misteriosamente da mesma forma e na corrida para descobrir o assassino, eles encontram uma mulher misteriosa que parece conhecer o policial de longa data. Ele então fica obcecado pelo caso e entra em uma espiral de loucura para descobrir quem é aquela mulher e qual a ligação entre eles.

A história se passa na Filadélfia e não é por acaso. A cidade tem uma importância dentro da história americana que dialoga diretamente com elementos do filme.

A trama começa em 1988 e traz o policial em ascensão na carreira, com a mulher grávida prestes a dar a luz. Essa primeira parte se passa toda em uma única noite e é eficiente em introduzir os personagens e toda a situação. Os acontecimentos levantam questionamentos instigantes e as cenas de perseguição são empolgantes, prendendo o espectador.

A história então salta para nove anos futuros, quando a mulher misteriosa ressurge misteriosamente cometendo os mesmos crimes. A partir desse ponto, o filme passa a narrar a história e o encontro do protagonista com a mulher a cada nove anos, ganhando um tom episódico que fraciona o roteiro e torna tudo um pouco cansativo.

O roteiro escrito por Gregory Weidman e Geoffrey Tock, uma dupla de roteiristas que trabalha sempre junto e tem a ficção científica como elemento recorrente em suas filmografias, usa essa passagem de tempo para esticar a história e explorar como as informações vão influenciando Locke e o tornando cada vez mais obcecado pela mulher misteriosa.

O roteiro usa a viagem no tempo e elementos de diversos outros filmes, em uma mistura curiosa. É fácil encontrar as referências. O filme aborda elementos que poderiam agregar uma complexidade interessante ao filme. Elementos históricos e a força das ideias e ideologias são abordados superficialmente, dois elementos bem atuais, que poderiam trazer um diferencial para o filme, que acaba muito preso ao mistério da mulher e se o filme é eficiente em levantar questionamentos, as respostas que ele entrega não são tão satisfatórias, são até previsíveis.

A recriação da década de 80 é bem eficiente, o filme parece ter saído diretamente daquele período, o mesmo já não acontece com os anos seguintes, onde só quem parece mudar é o protagonista. Faltam detalhes, elementos que identifiquem aqueles períodos, prejudicando essa noção de passagem temporal.

O roteiro é formado por personagens que permitem muito pouco a ser explorado pelos atores. Até mesmo a mulher misteriosa, interpretada por Cleopatra Coleman, tem poucas oportunidades. Michael C. Hall (o eterno Dexter), faz um personagem importante, mas que aparece em poucos momentos, um desperdício de ator que chama a atenção. O filme todo gira ao redor do protagonista Locke e Boyd Halbrook consegue criar um personagem interessante, com motivações bem estabelecidas pelo texto. Ele não convence muito na loucura de seu personagem, mas consegue levar o filme.

Sombra Lunar tem elementos que poderiam fazer dele um grande filme, mas aposta no caminho mais fácil. Têm personagens pouco explorados, um final muito explicativo e traz um tom emotivo que não condiz com o clima do restante do filme. O filme tinha potencial para ser uma das surpresas do ano, mas por falta de ousadia e uma direção com alguma personalidade, termina como mais uma ficção científica de potencial desperdiçado.

Felipe Fernandes

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