Doutor Sono

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(Doctor Sleep, 2019), De Mike Flanagan. Com Ewan McGregor, Alexandra Essoe, Rebecca Ferguson, Zahn McClarnon, Emily Alyn Lind, Jocelin Donahue e Bruce Greenwood.

NOTA_3,5 Cheese

O Iluminado de 1980, dirigido por Stanley Kubrick é um dos pilares do cinema de terror de todos os tempos, um daqueles filmes que ficam no panteão da sétima arte, algo intocável, solo sagrado. E se eu te falar que sua aguardadíssima continuação chegou (óbvio, que é brincadeira)!

Isso mesmo, depois de quase 40 anos um dos grandes escritores da nossa época e criador de todo esse universo, nosso digníssimo Stephen King traz para telona a adaptação do seu livro de 2013, Doutor Sono. É de grande importância o leitor ficar por dentro da briga de décadas assim como o fervoroso descontentamento que o escritor tem pelo filme, achando ridículo, vazio, dentre outros predicados (o que Stanley Kubrick levou para a telona foi genial e elevou a obra deste senhor, que creio estar com as faculdades mentais abaladas, mas isso é papo para outro dia).

Dirigido por Mike Flanagan, que tem experiência de sobra em filmes de suspense/terror, o filme conta a historia de Danny, o mesmo garotinho que passeava de triciclo no Hotel Overlook, hoje em dia, um homem abalado psicologicamente, solitário que encontra e divide sua angustia com uma garotinha chamada Abra, que compartilha do mesmo dom extra-sensorial, conhecido como Brilho. Juntos vão tentar sobreviver a um culto misterioso que se alimentam desse brilho para buscar a vida eterna.

Fica evidente desde a primeira cena que ver Doutro Sono sem ter visto O Iluminado, deixa a experiência totalmente oca. Um filme depende do outro. Mike Flanagan traz essa memória afetiva, referenciando em varias sequências o filme de 1980, ate para entendermos melhor o universo em que estamos novamente inseridos.

Gostei da ambientação, o diretor usa muito bem as sombras, o tom escuro contrasta bem a vida que Danny, vivido por Ewan McGregor esta inserida, e a fotografia te leva a uma imersão sensorial bem interessante. Falando no corpo de atuação, palmas para a Rebecca Ferguson que interpreta Rose, a líder dessa seita em uma atuação impávida e realmente ameaçadora.

O filme carrega uma discussão a cerca de vícios, abusos e traumas muito atual e em uma segunda camada os conceitos de imortalidade, tudo isso alinhado com efeitos visuais competentes. Interessante que o filme vai se renovando e criando diferentes camadas, importantes já que carrega mais de duas horas e meia de projeção.

Falando dos pontos negativos – e essa comparação é inevitável já que estamos falando de dois filmes de um mesmo universo. Enquanto, O Iluminado nos apresenta um terror psicológico, em Doutor Sono essa atmosfera é bem mais atual e vazia, ou seja, o terror é mais para adolescentes que se assustam com jump scares. Falta um pouco de seriedade quando o terror e tratado na trama.

Doutor Sono é um filme que ira dividir muito o publico (assumo que fui com a expectativa muito baixa, mas o filme passou de forma satisfatória). Comparando os dois filmes fica a minha reflexão; O Iluminado é filme para se rever todo ano, já Doutor Sono uma única vez já basta.

Marcelo Perelo

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