O Farol

(The Lighthouse, 2020), de Robert Eggers. Com Robert Pattinson, Willem Dafoe, Valeria Karaman, Pierre Richard, Logan Hawkes, Preston Hudson e Kyla Nicolle.

O cinema de terror desde meados da última década (já estamos em 2020), vêm tendo filmes um pouco diferentes que foram posteriormente classificados como pós-terror. Um estilo de terror com uma veia mais artística, fugindo dos jump-scares e excessos e trazendo abordagens mais psicológicas, com roteiros e estética mais refinadas.

Um dos maiores expoentes desse gênero é o excelente A Bruxa (2015), dirigido pelo americano Roger Eggers. Um filme de época que falava de ocultismo, folclore e mitologia das bruxas, em uma mistura poderosa em criar uma ambientação sufocante e assustadora. Elementos similares em uma nova abordagem retornam em seu novo filme O Farol.

Ephraim Winslow  (Robert Pattinson) e Thomas Wake (Willem Dafoe) são dois homens encarregados de cuidar de um farol em uma pequena ilha durante quatro semanas. Com o passar dos dias o trabalho pesado e o ambiente começam a causar efeitos nos dois que começam a perder o senso de realidade.

Egger usa elementos da situação buscando causar desconforto e ressaltar o sentimento de claustrofobia. O filme tem uma razão de aspecto 3×4, deixando a imagem quadrada, “encaixotada”, aumentando a sensação de claustrofobia e dando ênfase na verticalidade da imagem, elemento que dialoga diretamente com a estrutura que dá título ao filme.

Essa razão de aspecto, aliada a linda fotografia em preto e branco e a iluminação aparentemente naturalista, trazem um ar de filme antigo, que aliada aos figurinos e o visual dos dois atores, trazem uma sensação de que estamos diante de uma obra muito antiga.

Merece destaque o desing de som que usa o som incessante do farol, o grasnar das gaivotas e o crescente som do oceano para reforçar e aumentar a sensação de incômodo e claustrofobia vivida pelos dois personagens.

O filme é uma crescente espiral de loucura entre dois personagens com papéis bem definidos. Wake é o mentor que trata o subalterno com desprezo e desrespeito, contando histórias e lendas sobre marinheiros e outros homens que sucumbiram aos mistérios do farol. Dafoe o interpreta com intensidade, em um personagem complexo e misterioso, que traz uma carga teatral em discursos que ressaltam o mar como um ambiente mítico e sagrado, porém perigoso.

Winslow é o protagonista de um passado problemático que imerge em um ambiente completamente estranho e é afetado pelo seu superior e principalmente pelo ambiente que vai afetando seus senso de realidade devido ao excesso de consumo alcoólico e de belíssimas alucinações.

Pattinson entrega uma atuação intensa que impressiona. É sua melhor atuação e prova de vez (para quem ainda tem dúvidas) sua qualidade como ator. A interação entre os dois é impressionante e ambos merecem indicações na temporada de premiações.   

O filme é rico em simbolismos que misturam elementos de diferentes mitologias, numa construção muito bem estruturada que ajuda na relação dos personagens com a natureza e na progressão da loucura dos personagens. É um daqueles filmes que vai crescer em interpretações conforme for revisitado. São tantos elementos e tudo tão bem amarrado, mostrando mais uma vez o cuidado de Eggers na construção de um filme que exige muito mais do espectador que seu longa anterior, mas traz recompensas tão ou mais satisfatórias.

O Farol é um filme que vai gerar diversos debates. Está mais para um suspense psicológico, não é enraizado no terror, apesar de ser uma obra imersiva que pode causar sensações bem fortes e desconfortáveis. Já é um forte candidato a lista de melhores do ano e Robert Eggers (em seu segundo filme) se torna um dos cineastas mais interessantes da atualidade.  

Felipe Fernandes

Confira nosso cast especial sobre A Bruxa e as novas faces do Terror.

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