Minha mãe é uma peça 3

Minha mãe é uma peça 3, 2019. De Susana Garcia, com Paulo Gustavo, Mariana Xavier, Rodrigo Pandolfo, Herson Capri, Samantha Schmutz, Alexandra Ritcher e Patricya Travassos.

   “Minha mãe é uma peça” é um enorme sucesso. A obra do ator e roteirista Paulo Gustavo baseado na figura de sua própria mãe (misturada com algumas outras), saiu dos teatros, ganhou a tv e chegou aos cinemas em 2013 se tornando um grande sucesso de público. Números que a julgar pelo final de semana de estréia, se mantém com o terceiro filme.  A história de Dona Hermínia e sua família é um dos maiores sucessos do cinema nacional.

            Na história, Hermínia (Paulo Gustavo) sofre com a ausência dos filhos que cresceram,  saíram de casa traçando novos caminhos. Ela vive uma rotina sem muitas emoções e isso começa a mexer com ela. Após descobrir que seu filho Juliano (Rodrigo Pandolfo) vai se casar e que Marcelina (Mariana Xavier) está grávida, sua vida ganha novos propósitos, mas seu estilo vai bater de frente com a nova realidade dos filhos.

            O filme aposta na zona de conforto e têm uma estrutura muito similar aos anteriores, tendo principalmente na primeira metade um problema muito presente no primeiro filme, várias cenas que parecem meio jogadas, quase como que esquetes de humor que atravessam o filme apenas para criar momentos de riso, um problema que foi amenizado no segundo longa, mas que retorna nesse filme.

            Se os personagens coadjuvantes ganham novas situações e têm seus conflitos atualizados de acordo com seu crescimento, é justamente a protagonista que regride nesse sentido, logo Hermínia passa a ter questionamentos do primeiro longa, sai a apresentadora de tv (elemento completamente abandonado pelo filme), a mulher empoderada  e volta a dona de casa abandonada que não é nada sem a família, que debandou.

            Depois da entrada dos filhos, a trama realmente começa e o filme ganha um rumo, mesmo que que os problemas das esquetes não suma por completo. O humor do filme é certeiro, quem curtiu os dois anteriores certamente vai dar boas risadas, a personagem é muito boa e Paulo Gustavo consegue fazer rir com facilidade.

            O filme usa alguns clichês das comédias nacionais mais recentes, um exemplo é a ida ao exterior com piadas sobre a falta de comunicação (por mais que algumas piadas funcionem, esse trecho em particular não faz nenhum sentido dentro do filme e já foi feito recentemente pelo próprio Paulo Gustavo no filme “Minha vida em Marte”, longa também dirigido por Susana Garcia).

            O filme traz mais elementos dramáticos que os anteriores, alguns funcionam, outros não, mas como um todo o filme mantém uma coesão. Trazendo sempre uma mensagem sobre a família e  aqui falando superficialmente sobre preconceito, em uma mensagem clara, mas que não atravessa o humor do filme.

            Dirigido por Susana Garcia (Minha vida em marte), que também assina o roteiro, a diretora realiza um trabalho seguro e faz uso de várias transições bem criativas, que criam um tom de unidade, quebrando um pouco a sensação das cenas soltas, já citadas.

            Um elemento do roteiro que prejudica o filme é a falta de força dos coadjuvantes, o filme é muito focado na protagonista e por melhor que seja a personagem, isso cansa um pouco. Nos longas anteriores, os filhos tinham um bom tempo de tela, permitindo um pouco de respiro ao filme, o que não acontece aqui.

            Apesar de poucas oportunidades o elenco como um todo está bem, eles seguram o filme e basicamente fazem base pra Paulo Gustavo, uma personagem que se tornou muito querida do público, ao misturar a mãe do ator com características de diversas outras mães e conquistando o público pelo riso e pelo exagero.

            “Minha mãe é uma peça 3” é um filme que não sai da zona de conforto e justamente por isso acaba funcionando. Certamente vai agradar a quem já é fã da personagem e dos filmes anteriores, mas poderia ter um roteiro melhor trabalhado, criando uma sensação de obra completa e não de um amontoado de cenas.

            O longa têm um tom de despedida que fecha bem os três filmes, mas diante do sucesso eminente, fica difícil imaginar que essa será a última história de Dona Hermínia nos cinemas. Uma série de tv está sendo produzida, o que pode gerar um desgaste da personagem. mas enquanto houver público interessado, Dona Hermínia deve estar por aí, nos fazendo rir com seu estilo único. É torcer que ao menos da próxima vez, traga alguma novidade.  

Felipe Fernandes