Jojo Rabbit

(Jojo Rabbit, 2019), de Taika Waititi. Com Roman Griffin Davis, Scarlett Johansson, Thomasin McKenzie, Sam Rockwell, Stephen Merchant, Rebel Wilson, Alfie Allem Archie Yates e Taika Waititi.

Já perdemos a conta de quantas vezes vimos filmes sobre a Segunda Guerra e esse nefasto período da humanidade. Nada de novo, correto? E se toda essa abordagem viesse pelos olhares de uma criança de 10 anos.

Isso mesmo, Taika Waititi, o mesmo diretor que mudou o rumo do personagem Thor no universo Marvel, traz Jojo Rabbit. Um filme instigante, interessante e com um olhar inocente e infantilizado sobre o nazismo em uma história bonita e simples sobre amizade, intolerância e xenofobia. Tudo isso com uma abordagem bem diferente do que já vimos no cinema.

A trama acompanha Jojo (Roman Griffin Davis), um menino de 10 anos obcecado por Hitler e tudo aquilo que o regime da Alemanha Nazista carrega; totalitarismo, segregação, alienação e a ideia enlouquecida de uma superioridade ariana inundam a mente do menino, que acaba de se alistar no exercito da Juventude Hitlerista e sonha em um dia se tornar o guarda oficial do Fuhrer.

Sua veneração e devoção a Hitler é tão grande que seu amigo imaginário e conselheiro é o próprio (interpretado pelo diretor Waititi). Curioso que esse papel foi negado por inúmeros atores, restando ao diretor a alcunha de interpreta-lo.

Todos esses sonhos contestáveis são confrontados a partir da relação com sua mãe, interpretada mais uma vez de forma incrível e competente por Scarlett Johansson, que na verdade não aprova essa devoção de seu filho, mas que o apoia em suas loucuras e sonhos para não levantar suspeitas. Só que apesar dos esforços para ser igual aos demais, Jojo não se encaixa moral e nem fisicamente no exercito jovem de Hitler.

Nesse contexto é impossível não destacar a interpretação do menino Griffin Davis. Toda sua inocência transmite muita verdade diante dos dilemas de uma criança que passa a confrontar todo seu nacionalismo cego quando descobre que sua mãe esconde uma garota judia no sótão de sua casa.

Sua fisicalidade meio desengonçada e seu olhar transmite desconfiança e duvidas, porque quando a refugiada Elsa (Thomasin McKenzie) ganha vida, todo contexto do filme muda, dando lugar ao dialogo e uma amizade na teoria impossível, mas que vai se moldando. É ai que você percebe, na verdade, o que o diretor quer transmitir.

E vendo por esse lado, a decisão do diretor em interpretar Hitler representa um ganho para o filme, já que ele dá o tom para que possamos saber que tudo não passa de uma sátira. Adotando uma veia mimada, arrogante, boba, egocêntrica e de forma imbecil, ate porque era dessa forma, muitas vezes ingênua, que o criador Jojo o via.

Importante citar o cuidado técnico do filme, usando uma fotografia estilizada, muita alegoria decorativa, adotando narrativamente a câmera lenta para dar peso às cenas. O uso de cores é extremamente bem feito, com tons amarelo, verde e vermelho onde nitidamente se contrapõe a raiva e paixão.

Quem conseguir ver uma adoração ao regime nazista ou algo parecido, precisa se tratar com certa urgência. Tudo isso amparado pela ótima trilha de Michael Giacchino, que na minha opinião, também merecia uma indicação ao Oscar, onde todas as composições conversam de forma muito orgânica entre as cenas.

Por fim, Jojo Rabbit é um filme leve com uma temática forte, controversa, mas que consegue passar de forma diferente e ate inocente, calcado na sátira e comédia, uma das passagens mais terríveis e vergonhosas da raça humana.

Marcelo Perelo

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