O Poço (Netflix)

(The Platform, 2019), de Galder Gaztelu-Urrutia. Com Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan, Emilio Buale, Alexandra Masangkay e Zihara Llana

O Poço (no original The Plataform) é uma prisão bem peculiar, que têm esse título, tanto o brasileiro quanto o original, devido a características do local. Se trata de um enorme prédio formado por salas quadradas com um grande vão no meio delas,  uma vez por dia passa uma plataforma com um grande banquete e os andares superiores comem o que conseguem e conforme a plataforma vai abaixando a comida vai acabando, deixando os andares inferiores sem comida.

Na trama, acompanhamos Goreng (Iván Massagué), um recém chegado a prisão, que divide um andar com Trimagasi (Zorion Eguileor), um senhor estranho que parece saber bastante sobre aquela prisão. Logo, vamos descobrindo junto ao protagonista a natureza daquele local e de seus residentes.

A prisão traz um aspecto interessante, mas o roteiro escrito por David Desola e Pedro Rivero precisa trabalhar personagens e as peculiaridades da prisão com poucos recursos, afinal o cenário é muito limitado e praticamente dois personagens ocupam todas as cenas.

Os mesmo elementos que limitam a obra, dão a ela a sensação claustrofóbica e misteriosa que traz um diferencial para o filme. Alguns momentos, principalmente no primeiro ato, trazem diálogos muito expositivos, um problema que vai se dissipando conforme o andamento da narrativa e o crescimento constante da tensão.

Um dos acertos do roteiro é o de não buscar dar muitas explicações, o filme acompanha aquelas pessoas dentro daquela situação extrema, alguns diálogos trazem informações que dão a entender que os presos ali, optaram por passar por tudo aquilo em troca de algum benefício, mostrando que não são necessariamente criminosos ou pessoas normalmente violentas, mas sim pessoas comuns, agregando uma complexidade ainda maior a situação.

A violência e a ruptura da civilidade são fatores centrais dentro do filme. e  crescem em escala conforme o desenvolvimento da história, uma transformação que vai direto com as mudanças do protagonista, que conforme o tempo passa, se enquadra cada vez mais na sua necessidade de sobrevivência e na dinâmica da prisão.

O filme tem uns aspectos políticos inerentes, mas não se aprofunda muito na questão. O próprio conceito da banquete para as os andares superiores e o resto, a miséria para os andares inferiores, vai direto no conceito de castas sociais. São críticas e leituras interessantes que ficam no subtexto, nunca tomando amplamente o foco principal da narrativa.    

No fundo (sem trocadilhos), O Poço é um experimento sociológico extremamente radical e degradante. Tenso, claustrofóbico e violento na medida certa, o filme traz alguns questionamentos interessantes sobre os limites do ser humano e da civilidade. Um tema sempre pertinente que aqui ganha contornos sociais difíceis de ignorar. 

Felipe Fernandes

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