Power (Netflix)

(Project Power, 2020), de Henry Joost e Ariel Shulman. Com  Jamie Foxx, Joseph Gordon-Levitt, Dominique Fishback, Courtney B Vance, Amy Landecker e Rodrigo Santoro.

Os grandes lançamentos da Netflix neste período de quarentena (com exceção de Destacamento Blood) têm as mesmas características; são filmes de ação com bom elenco e potencial para a criação de franquias.

É uma fórmula repetida, são filmes que trazem um conceito, com motivações mínimas para os personagens e entre uma cena de ação e outra, se encontra um momento de respiro para tentar justificar as relações entre os personagens ou qualquer outra coisa.

Power é o mais novo lançamento da plataforma e se enquadra em todos os quesitos citados acima, com a curiosidade de ser o filme que mais se parece com um quadrinho, apesar de ser o único dessa safra recente que não relação direta com a nona arte. 

Na trama, uma nova droga intitulada Power, é distribuída em Nova Orleans. Essa droga permite ao usuário ter cinco minutos de super poderes, poderes estes que variam de pessoa para pessoa e podem ter efeitos colaterais irreversíveis.

No combate a nova droga, um ex-soldado, um policial e uma traficante, acabam se unindo por forças das circunstâncias e precisam dar fim a distribuição da droga.

O roteiro de Mattson Tomlin é original no conceito de não adaptar nenhuma obra pregressa, porque todas as ideias e conceitos presentes no filme são oriundas dos quadrinhos (não por acaso ele é o roteirista do próximo filme do Batman), o que não chega a ser um problema, o que incomoda é a falta de criatividade em sua execução.

Seguindo a fórmula que mencionei no primeiro parágrafo, o conceito aqui é a forma como a droga funciona. Uma droga que permite diferentes poderes, mesmo que por um curto espaço de tempo, é uma premissa repleta de possibilidades e o filme não consegue surpreender narrativamente, nem esteticamente em nenhum momento.

Os efeitos imprevisíveis da droga são pouco explorados, os poderes destacados são geralmente previsíveis e os efeitos especiais oscilam muito, em alguns momentos são bem realizados, já em outros momentos são bem artificiais.

 Ao menos o roteiro é eficiente em apresentar informações aparentemente aleatórias, que posteriormente vão se encaixar na trama, em um jogo de entrega e recompensa que é sempre interessante.

As motivações do trio de protagonistas e suas relações funcionam, mas o restante dos personagens são caricaturas exageradas que incomodam. Seja a traficante sul americana, a dona da companhia produtora da droga, mas principalmente o traficante Biggie (Rodrigo Santoro), o personagem mais próximo de um vilão presente na trama, que traz diálogos e momentos constrangedores.  

A dupla de diretores Henry Joost e Ariel Schulman (Atividade Paranormal 3, Nerve) traz um colorido vibrante para o filme, característica está presente em outras obras da dupla, dão ao longa um tom de violência um pouco acima do normal nesse tipo de produção, mas perdem a mão em um frenesi injustificado na montagem das cenas de ação. São cenas repletas de cortes rápidos que se tornam confusas, prejudicando o entendimento de toda a mise-en-scène do filme.

Certamente o ponto alto do filme é o elenco que dá vida ao trio principal, que se não estão em seus melhores papéis, ao menos funcionam muito bem na proposta do longa. Destaque para a jovem Dominique Fishback (O Ódio que Você Semeia), que interpreta Robin, a traficante que sonha ser cantora de rap e traz em seu figurino as cores do famoso personagem que leva o seu nome.

No fim das contas Power termina como um filme de boas ideias mal aproveitadas (mesmo que não sejam inovadoras) e que acaba soando bem genérico. Falta um diferencial, algo que tire ele do grupo de filmes esquecíveis que todos nós teremos ao final desse período de quarentena.  

Felipe Fernandes

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