#TBT – Barton Fink: O Inferno e o Criador

Barton Fink (1991), de Joel Coen e Ethan Coen. Com John Turturro, John Goodman, Judy Davis, Michael Lerner, Tony Shalhoub e Steve Buscemi.

Nascidos em Minneapolis, os irmãos Joel e Ethan Coen surgiram no cinema independente e se destacaram com filmes inventivos, que se destacam pelo cuidado técnico e narrativo, e ao longo de três décadas construíram uma sólida carreira, com filmes bem distintos, repleto de grandes personagens, um humor ácido em obras que revisitam momentos da história dos Estados Unidos, contando tramas pouco convencionais e construindo uma espécie de universo particular que torna o cinema dos irmãos inconfundível. Neste sentido, Barton Fink: Delírios de Hollywood, foi um divisor de águas. 

Em Busca do Homem Comum

John Turturro

Escrito pelos irmãos, o filme conta a história de Barton Fink (John Turturro), um jovem dramaturgo que após alcançar o sucesso com sua peça, é contratado por um grande estúdio de Hollywood para escrever um filme B sobre um lutador de luta livre. O que começa como um desafio e uma grande oportunidade financeira, se torna um pesadelo conforme ele adentra Hollywood e coisas bem estranhas começam a acontecer no hotel em que ele vive. 

Desde a primeira cena já identificamos o protagonista como um homem introvertido, que preza mais pela qualidade de sua obra e seu processo, que particularmente com o sucesso. Deslocado e desconfortável no universo do teatro, ele vê sua ida a Hollywood como um distanciamento de tudo o que ele considera fundamental para a construção de sua obra. 

John Turturro

Não por acaso, mesmo em Hollywood, ele se hospeda em um hotel bem duvidoso, com decoração e funcionários bem estranhos. É no quarto do hotel que Fink se vê diante da máquina de escrever, um quarto sem identidade, com folhas de papel de parede velhas, descolando, com um único quadro de uma mulher em uma praia, imagem que a longo prazo funciona como um vislumbre de um mundo fora daquela situação. 

Em um universo totalmente oposto a sua realidade, Fink se sente oprimido pela característica expansiva e controladora de todos naquele universo, principalmente do seu chefe Lipnick (Michael Lerner), que o trata hora como um artista diferenciado, hora como um funcionário que deve fazer exatamente o que ele quer. 

Eu Sou Um Escritor Seus Monstros. Eu Crio, Eu Crio Para Viver

 John Goodman & John Turturro

A entrada de Charlie (John Goodman) é um alento para Fink, mas é o ponto onde os delírios do protagonista ganham força. A cumplicidade do “homem comum” que tem várias histórias para contar, parece ser o único vínculo de Fink com o que acreditamos ser sua antiga realidade, definição que pouco a pouco vai sendo desconstruída conforme o filme desenvolve a relação do personagem com sua escrita.   

O filme trabalha elementos surrealistas e simbolismos, usando o estranhamento na construção de uma atmosfera instigante, que é estimulada pela direção dos irmãos em sua primeira parceria com o lendário fotógrafo Roger Deakins. Fazendo uso de travellings cuidadosos em momentos chave, eles criam rimas visuais que estabelecem pontos de virada dentro da história. 

Escrito enquanto os irmãos enfrentavam um bloqueio criativo, Barton Fink: Delírios de Hollywood é o trabalho dos Coen que mais permite diferentes interpretações. Trabalhando a ideia que o protagonista tem de si próprio como artista e sua relação não só com Hollywood, mas principalmente com a escrita, o filme é uma jornada de delírio, dor e destruição de um artista com sua arte. 

Deixe sua opinião sobre os filmes neste post ou nos mande um e-mail dizendo se concorda ou discorda da gente, deixando sua sugestão ou crítica: contato@ratosdecinema.com.

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